Anunciantes de pet: R$ 42 bi em ração e a disputa no bairro
O setor pet passou de R$ 77,9 bi em 2025 e a Friskies estreia campanha digital com a WMcCann. Onde os anunciantes de pet não compram: mídia local.
Anunciantes de pet movimentam um setor que fechou 2025 em R$ 77,96 bilhões. Em 28/09/2026, a Friskies estreou no Brasil a campanha "Queremos Diversão, Queremos Friskies", criada pela WMcCann e rodando em redes sociais, TikTok, Meta, Amazon e ponto de venda. Nenhuma inserção de rádio no plano divulgado — num mercado em que quase metade do dinheiro passa pelo pet shop de rua.
O que a Friskies colocou no ar
Em 28/09/2026, o propmark publicou que a Nestlé Purina lançou a campanha da marca Friskies com criação da WMcCann, estratégia global da AFG e adaptações da Craft. A mídia ficou com a Hive/WMcCann, a frente de influência com a BR Media e o ponto de venda com a FutureBrand.
O desenho é de campanha de marca com conversão perto da compra: redes sociais, um Branded Mission no TikTok, Meta, Amazon e material de PDV. O plano de mídia divulgado não cita rádio, TV aberta nem mídia exterior.
O tamanho real da categoria
Vale dimensionar o que está em jogo antes de chamar isso de escolha óbvia. Segundo a Band, o setor pet brasileiro faturou R$ 77,96 bilhões em 2025, alta de 3,45% sobre os R$ 75,4 bilhões de 2024, e a Abinpet projeta que 2026 ultrapasse R$ 80 bilhões. Só o segmento de pet food responde por 54% do total, cerca de R$ 42 bilhões.
O dado que muda a conversa de mídia está no canal. O estudo "Faturamento e População Pet no Mundo – 2026", reportado pelo Panorama PetVet, aponta que pequenos e médios pet shops concentram 48% do faturamento do setor — algo perto de R$ 39 bilhões — e que o Brasil tem 166,8 milhões de animais de estimação, a terceira maior população pet do mundo.
Verba nacional, venda de balcão
Quase metade da receita de uma categoria de R$ 80 bilhões é transacionada em loja de rua. Quem decide o que entra na gôndola do pet shop de bairro é o dono da loja, e quem empurra a marca no balcão é o atendente. Amazon e TikTok resolvem a parte da categoria que vende em marketplace e supermercado. Não resolvem os 48%.
Esse comprador — tutor que sai de casa para comprar ração de 15 quilos, trabalha em horário comercial e dirige — é justamente o perfil de consumo de rádio em faixa útil. É o mesmo descompasso que já apareceu em anunciantes de material de construção: verba nacional em mídia de alcance, venda concentrada no varejo de vizinhança.
Implicação pra quem vende inventário de rádio
Pet tem duas portas de entrada, e elas têm ciclos diferentes. A primeira é a indústria: Nestlé Purina e as demais fabricantes de ração compram mídia nacional com antecedência, e o pedido passa por agência. É venda longa, mas com verba aprovada.
A segunda fecha mais rápido. Redes regionais de pet shop, clínicas veterinárias e distribuidores de ração compram spot local, varejo em rede e patrocínio de faixa — e são eles que estão nos 48%. Pra quem faz prospecção de anunciantes, a lista de rede regional de pet shop de uma praça é material de proposta imediato, na mesma lógica de recorte por categoria descrita em como prospectar anunciantes de saúde.
O que observar até dezembro
Dois sinais valem o acompanhamento. Se a Friskies abrir verba de sustentação regional para apoiar a distribuição no quarto trimestre, o pedido chega às emissoras pelo varejo, não pela agência nacional. E se a projeção da Abinpet se confirmar acima de R$ 80 bilhões, a disputa por espaço de gôndola fica mais cara em 2027 — o que costuma empurrar marca para mídia local, onde o custo por contato do inventário de rádio ainda compete.