Vendas de dezembro: a vantagem sobre novembro caiu para 12%
Dezembro vendia 41% mais que novembro em 2005; em 2026, a ACSP projeta 12%. A Black Friday espalhou a verba de fim de ano e o Natal vira duas ondas.
As vendas de dezembro já não carregam o fim de ano sozinhas. Em 2005, dezembro vendia cerca de 41% mais que novembro. Em 2026, a projeção da Associação Comercial de São Paulo é de 12%.
O que rolou na semana
O número é do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A diferença entre os dois meses caiu para 11,7% em 2025, e a projeção para 2026 é de 12%, segundo artigo de Francisco Ritondaro no Mercado&Consumo, publicado em 05/11. Ritondaro, ex-CEO da General Shopping & Outlets do Brasil, resume: "dezembro perdeu a exclusividade sobre o orçamento de fim de ano".
O tudoradio.com repetiu a projeção em 06/11, ao lado da estimativa da Confi com a Neotrust: R$ 13,3 bilhões no e-commerce entre 26 e 29 de novembro, alta de 20,7%. A Black Friday cai em 27/11 e a Cyber Monday, em 30/11.
No mesmo dia 06/11, a Bacio di Latte e a Ferrero Rocher anunciaram uma parceria de Natal, segundo o Meio&Mensagem. Três bebidas da gelateria passam a vir com o bombom de avelã até o fim de dezembro, só nas lojas físicas da rede, que tem cerca de 230 unidades no Brasil.
O padrão que está se formando
Novembro não ficou com o Natal inteiro. O que mudou foi o tamanho de cada pedaço. Pelos dados da Neotrust citados por Ritondaro, os quatro dias da Black Friday 2025 fizeram 23,5% dos R$ 46,98 bilhões vendidos online em novembro. Cinco anos antes, a fatia passava de 32%. A promoção se espalhou pelo mês todo.
O consumidor também mudou de tamanho de compra. Segundo o mesmo artigo, os pedidos do e-commerce subiram 34,9% de janeiro a setembro, enquanto o tíquete médio caiu 13,4%. A síntese do autor é curta: "Mais compras, de menor valor."
A parceria da Bacio di Latte mostra o outro lado. A Ferrero quer novas ocasiões de consumo e escolheu o balcão, não o carrinho online. A aposta é o consumo presencial, puxado pelo movimento das lojas no fim de ano.
O que esperar até o Natal
Para quem vende rádio no varejo, a verba de fim de ano agora se decide em duas ondas. A primeira já está no ar e vai até 30/11. A segunda é a do balcão, que começa em dezembro e depende de gente passando na porta. A campanha de Natal da Kopenhagen, com 60% a mais em mídia, já mostrou que a marca grande não espera dezembro.
O anunciante que deixar para negociar em dezembro terá menos dias de campanha até o Natal. A conversa de Natal com o varejo de praça precisa começar antes da Black Friday terminar.