Investimento publicitário global: Brasil a US$ 110 por pessoa
A Warc projeta investimento publicitário global de US$ 1,34 trilhão em 2026. O Brasil investe US$ 110 por habitante; os EUA, US$ 1.395.
A Warc projetou em 08/10/2026 um investimento publicitário global de US$ 1,34 trilhão neste ano, crescimento de 11,9%. Para quem vende mídia no Brasil, o dado que muda a conversa está na outra ponta do relatório: o país investe US$ 110 por habitante, contra US$ 1.395 dos Estados Unidos.
O que a Warc projeta
A Warc publicou em 08/10/2026 a atualização do seu forecast de verba global. Segundo o Propmark, o investimento publicitário global fecha o ano em US$ 1,34 trilhão, com alta de 11,9%. A curva segue positiva nos anos seguintes, mas desacelera: 8,4% em 2027 (US$ 1,46 trilhão) e 7,9% em 2028 (US$ 1,57 trilhão).
O crescimento é concentrado. Redes sociais, busca e retail media devem responder por 66,4% da verba global em 2026. Social sobe 21,3%, para US$ 394,6 bilhões. Busca avança 14,2%, para US$ 295,7 bilhões. Retail media cresce 14,3%, para US$ 202,1 bilhões. Alphabet, Amazon e Meta, juntas, respondem por 59,7% do investimento global — US$ 659,6 bilhões —, excluindo a China, segundo o comunicado da Warc.
O Brasil no gasto por habitante
O relatório abre o investimento por habitante em cada mercado, e é aí que a conta brasileira aparece. Os Estados Unidos lideram com US$ 1.395 por pessoa, seguidos de Reino Unido (US$ 935), Áustria (US$ 850) e Suíça (US$ 825). A China marca US$ 170 e o Brasil, US$ 110 por habitante. A Índia fecha a lista em US$ 13, conforme o detalhamento do relatório.
A Warc lê esse intervalo como espaço pra crescer em mercado emergente. A leitura comercial é mais dura: no Brasil, cada ponto de verba disputado vale menos em valor absoluto, e a concentração em três canais globais já tira do tabuleiro a maior parte do que existe.
Implicação pra agência e pra emissora
Se dois terços da verba mundial vão pra social, busca e retail media, o terço restante é onde rádio, TV e mídia exterior se enfrentam. E nesse pedaço a decisão não sai de relatório global: sai de praça, de marca e de carteira.
Pra quem monta plano de mídia, o número da Warc serve de argumento na reunião — a verba está migrando, e isso tem fonte. O que ele não diz é qual anunciante da sua cidade comprou spot neste mês, nem em qual emissora. O rádio brasileiro disputa justamente esse terço restante, o mesmo recorte que aparece no investimento publicitário em rádio medido no país em 2026.
O que observar daqui pra frente
A desaceleração projetada pra 2027 e 2028 é o ponto a marcar na agenda. Em mercado que cresce menos, verba nova vira verba disputada: o anunciante não entra, ele troca de lugar. Quem vende inventário de rádio no ano que vem vai brigar por budget já alocado — e quem souber antes quais marcas estão no ar hoje, em qual emissora e em qual faixa, entra na conversa com nome e horário na mão.