Transparência de métricas: CGI.br mira preço e audiência
O CGI.br quer que plataformas abram preço, audiência e mensuração. No rádio, transparência de métricas já é cláusula contratual — e isso vende.
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) publicou em 17/09/2026 as 46 diretrizes que quer ver na regulação de plataformas de redes sociais. Uma delas obriga as plataformas a abrir preço, dados de audiência e ferramentas de mensuração — o mesmo pacote que rádio e TV já entregam em mapa de veiculação. Três dias antes, o Painel Cenp-Meios mostrou a internet passando a TV pela segunda vez. Os dois fatos se encaixam.
O que fechou a semana
O release do CGI.br organiza as diretrizes em seis eixos: soberania e jurisdição nacional, transparência, economia e concorrência, direitos humanos, prevenção e responsabilidade, governança e regulação assimétrica. O documento vem de duas consultas públicas, em 2023 e 2025, e sucede os 10 Princípios que o colegiado publicou em agosto de 2025.
Dois pontos falam direto com quem compra e vende mídia, segundo o propmark. O CGI.br recomenda que "dados pessoais sensíveis não sejam utilizados para perfilamento destinado à publicidade" sem consentimento específico — autorização genérica em termos de uso não bastaria. E pede que as plataformas divulguem "informações sobre critérios de ranqueamento e exibição, dados de audiência, ferramentas de mensuração de desempenho, preços, remunerações e taxas". O texto ainda propõe limites à autopreferência de plataformas dominantes.
O padrão que está se formando
Em 16/09/2026, o Painel Cenp-Meios fechou o primeiro semestre em R$ 13,8 bilhões, alta de 15,8% sobre os R$ 11,9 bilhões de 2025. A internet ficou com R$ 5,6 bilhões, ou 40,7%, e passou a televisão (40,6%) pela segunda vez no painel. Mídia exterior somou R$ 1,857 bilhão (13,4%). O rádio movimentou R$ 475,7 milhões, 3,4% do total, na quarta posição entre os meios. São 306 agências no painel: 240 matrizes e 66 filiais.
Ponha as duas notícias na mesma frase. O meio que acabou de assumir a liderança da verba é o mesmo que um colegiado multissetorial considera fechado em preço e audiência. Transparência de métricas saiu da pauta de auditoria e entrou na pauta regulatória.
Para o rádio, a leitura é comercial, não moral. Pedido de inserção, autorização de veiculação e comprovação de veiculação já formam um rastro que o anunciante confere linha por linha. Quem monta plano de mídia com rádio entrega hoje o que o CGI.br sugere cobrar do digital amanhã — e quase nunca usa isso como argumento de venda.
O que esperar na semana
As diretrizes não têm força de lei. Servem de base conceitual para projetos no Congresso e para decisões de reguladores, o que joga a discussão para 2027. O calendário comercial é mais curto: com verba de fim de ano em negociação agora, a pergunta do anunciante sobre onde exatamente o dinheiro apareceu tende a ficar mais frequente, não menos.
Para a prospecção de anunciantes na semana que começa, o gancho é direto: leve comparação de rastro, não de CPM. Inventário de rádio com prova de entrega pesa mais numa mesa que discute dado comparável entre meios do que um desconto de tabela.