LIA Awards 2026: Brasil fica sem estatueta em áudio
No LIA Awards 2026, a categoria Audio & Radio deu três ouros, quatro pratas e nove bronzes. O Brasil só emplacou um finalista: a VML São Paulo.
O LIA Awards 2026 fechou a categoria Audio & Radio com três estatuetas de ouro, quatro de prata e nove de bronze. Nenhuma veio para o Brasil. A única presença nacional foi a VML São Paulo, finalista em Audio & Radio Best Regional/National Market com a campanha "Galinha grita por Coca-Cola", da Coca-Cola.
O país ganhou em quase tudo, menos em áudio
Os primeiros resultados do London International Awards saíram em Las Vegas em 01 e 02/10/2026. A AlmapBBDO levou o Grand LIA de Entertainment & Content com "A Caminhada até a Calçada da Fama", para Johnnie Walker — a primeira agência brasileira a conquistar o maior prêmio do festival nesta edição, segundo o Propmark.
Na mesma leva, a Design Bridge and Partners São Paulo ganhou prata com "Nordeste Além", para o Consórcio Nordeste, e a MRM Brasil ficou com bronze em Direct com "Recompensas Barulhentas", para a Leroy Merlin. Em Music & Sound, o júri foi presidido pelo brasileiro Lucas Mayer, fundador e diretor global de música da DaHouse Audio.
O que mudou agora
Em Audio & Radio, o júri presidido por Ajay Vikram, chief creative officer da Publicis Groupe South East Asia, foi curto: três ouros, quatro pratas, nove bronzes e 20 finalistas. Para efeito de comparação, Music & Sound concedeu um Grand LIA, nove ouros, 14 pratas e 17 bronzes. Entre os ouros está "Radio Time Machine", da TBWA Hakuhodo de Tóquio, conforme o Campaign Brief Asia.
O contraste com junho é direto. No Cannes Lions 2026, o Brasil levou ouro e prata na mesma categoria: a Africa Creative venceu com "Searching for birds on wires", para a Abradee, e a LePub São Paulo ficou com prata com "Could have been a Heineken", de acordo com o Propmark.
Implicação pra agências e emissoras
Dois festivais, dois resultados opostos em pouco mais de três meses. A leitura útil não é sobre talento, é sobre inscrição e briefing. O spot de rádio costuma ser a última peça do plano de mídia a receber criação dedicada — entra como adaptação do filme, e adaptação não ganha prêmio internacional.
Para quem vende inventário de rádio, isso é argumento comercial concreto. A emissora que oferece ao anunciante uma peça pensada para o ouvido, e não um corte de 30 segundos do VT, muda a conversa de preço para valor. Em prospecção de anunciantes, vale olhar quem já tem criação em áudio premiada no portfólio: essas marcas compram rádio com outro critério.
O que observar daqui pra frente
O LIA ainda tem categorias em julgamento em Las Vegas, então o placar brasileiro pode mudar nos próximos dias. O número que importa acompanhar é outro: quantas agências brasileiras inscreveram trabalho em Audio & Radio este ano. Se a base de inscrição encolheu, o resultado é consequência, não surpresa.