Jornalismo em rádio: 16 nomes no top 100 e a CBN aos 35
A pesquisa +Influentes pôs 16 jornalistas de rádio no top 100 do país, 10 deles da CBN, que faz 35 anos. O que isso vale no inventário comercial.
O jornalismo em rádio fechou 1º de outubro de 2026 com duas credenciais no mesmo dia: 16 profissionais do meio entraram no top 100 de jornalistas mais influentes do país, e a CBN completou 35 anos no ar. Quem atribuiu a influência não foi o ouvinte — foram executivos de agência e de comunicação corporativa.
Dez dos 16 nomes estão na CBN
A pesquisa +Influentes da Imprensa Brasileira, da Jornalistas&Cia em parceria com a consultoria Ponto MAP, colocou 16 jornalistas de rádio entre os 100 mais influentes do Brasil, segundo o tudoradio.com. A divisão por emissora: 10 na CBN, 5 na BandNews FM e 1 na Jovem Pan News.
A amostra pesa mais que a colocação. Foram 231 executivos sêniores de comunicação ouvidos ao longo de quatro semanas — 63% de agências, 32% de empresas privadas e 5% de públicas —, que citaram 289 jornalistas e 80 veículos. A Exame, também listada entre os 20 veículos mais influentes, descreve os respondentes como profissionais de comunicação corporativa em posições de liderança.
Ou seja: essa lista mede influência sobre o comprador, não sobre audiência bruta. Entre os citados estão Sheila Magalhães, âncora e editora-executiva da BandNews FM, e Reinaldo Azevedo, apresentador do O É da Coisa na mesma emissora.
Jornalismo em rádio é inventário, não troféu
A CBN estreou em 1º de outubro de 1991 como o primeiro projeto all news em FM do Brasil e hoje reúne 38 emissoras, puxadas pela CBN FM 90,5 de São Paulo e pela CBN FM 92,5 do Rio. No aniversário, a rede alternou as quatro trilhas do Repórter CBN usadas em três décadas e meia — versões de 1991, 1996, 2011 e 2017 — e pôs áudios de arquivo no ar de hora em hora a partir das 6h30.
Parece memória afetiva. Comercialmente é outra coisa: a trilha do Repórter CBN é o que faz um boletim patrocinado ser reconhecido em três segundos, antes de o ouvinte processar a marca anunciada. Trinta e cinco anos de repetição sustentam o preço dessa cota de patrocínio.
A escala regional segue a mesma lógica. A CBN Campinas, primeira afiliada da rede, alcança 7,2 milhões de habitantes em 56 municípios do interior paulista.
O que fazer com isso amanhã
Para o comercial de emissora, o ranking vira linha de mídia kit com lastro externo: a faixa de jornalismo não é só audiência, é o pedaço do inventário de rádio que executivos de agência declararam acompanhar. Comentarista e boletim sustentam cota anual; música sustenta spot avulso.
Para a agência, a leitura é de formato. No all news, a marca entra colada ao conteúdo — patrocínio de quadro, de boletim, de previsão — e não por spot solto no intervalo. Quem monta plano de mídia para outubro e novembro, com verba de fim de ano em disputa, ganha aqui um argumento de alocação que não depende de ponto de audiência.
O contraponto: 16 nomes influentes concentrados em três redes significa que a autoridade do meio é estreita, e preço estreito sobe rápido. Antes da próxima rodada de prospecção de anunciantes, vale conferir como esse público executivo já aparecia no rádio.