Audiência qualificada: CBN é a rádio de 54% do C-Level
Estudo com 107 executivos põe a CBN em 54% das citações e o Estadão contrata sete para o mercado anunciante. Audiência qualificada é o ativo.
Dois fatos de 26/08/2026 apontam para o mesmo lugar. A CBN aparece como rádio de notícias de 54% dos executivos C-Level brasileiros, segundo a 2ª edição do estudo "Hábitos de consumo de informação do C-Level no Brasil". Horas depois, o Estadão anunciou sete contratações para a área de mercado anunciante. O ativo em disputa nesta quarta não foi alcance bruto — foi audiência qualificada.
O que rolou hoje
O estudo foi conduzido pela InPress Porter Novelli em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD). Ouviu 107 executivos em cargos de direção, vice-presidência e presidência, entre abril e julho de 2026. Do total, 90% atuam em empresas de grande porte, distribuídas por 13 setores econômicos.
Entre as emissoras de rádio, a CBN aparece em 54% das menções — acima dos 52% registrados em 2021 —, seguida por Rádio Bandeirantes (25%) e Jovem Pan (23%), conforme reportou o TudoRádio. Esse executivo dedica cerca de duas horas por dia ao consumo de informação, das quais 73 minutos vão para noticiário geral.
Na mesma quarta, o propmark publicou que o Estadão reforçou a área de mercado anunciante com sete contratações, sob o comando de Essio Floridi, chief commercial officer do grupo. Chegam duas diretorias de vendas — Silvia Barbieri (ex-UOL, Yahoo Brasil e GDB) e Wagner Tirapani (ex-NZN, UOL e Rádio Mix) — e mais cinco executivos de contas e gerentes.
O padrão que está se formando
Os dois movimentos são a mesma aposta vista de ângulos diferentes. O estudo diz onde o decisor está. A contratação diz que o veículo quer vender esse acesso sem intermediário. "Contratamos profissionais que trazem diferentes experiências e visões de mercado, para ampliar nossa capacidade de construir soluções relevantes para os anunciantes", afirmou Essio Floridi ao propmark.
Repare no perfil de quem entrou: a maioria vem de digital puro — UOL, NZN, Squid, Cortex Intelligence. Um veículo tradicional está comprando gente de plataforma para vender inventário editorial. Tirapani, aliás, passou pela Rádio Mix, sinal de que a fronteira entre vender rádio, portal e branded content já não é nítida.
Para quem monta plano de mídia, a leitura é direta: rádio de notícias em faixa comercial cara deixa de ser negociação por CPM e vira compra de contexto. O raciocínio que já valia para recorte geográfico — como no caso da audiência de rádio em Porto Alegre — agora vale para perfil de ouvinte.
O que esperar amanhã
Se a tese se confirmar, os próximos anúncios de estrutura comercial de veículos devem seguir o mesmo desenho: menos representação terceirizada, mais time próprio conversando com o anunciante final. Para a agência que vive de prospecção de anunciantes, isso muda o interlocutor e encurta o ciclo.
Vale acompanhar se as emissoras citadas no estudo convertem o dado em argumento de mídia kit já no Q4/2026. Quem chegar primeiro com o recorte de audiência qualificada leva a conversa de fim de ano para o campo do contexto, não o do desconto.