Conteúdo jornalístico: liminar barra a Meta e o dado vira ativo
Justiça de SP proíbe a Meta de usar conteúdo jornalístico de rádios, TVs e jornais sem aval; e Publicis fecha a LiveRamp e a Neooh leva 18 aeroportos.
Em 03/11/2026, o juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível de São Paulo, concedeu à ABERT, à ANJ e à ANER uma liminar contra a Meta. A empresa não pode coletar conteúdo jornalístico dos associados sem autorização, nem usá-lo para treinar sistemas de IA. Nas mesmas 24 horas, Publicis e Neooh mostraram de que lado do balcão o dado e o inventário estão indo.
O que a liminar contra a Meta suspende
O alvo é um trecho dos novos Termos Comerciais da Meta, que entrariam em vigor em 20 de novembro. Segundo o Olhar Digital, a regra condicionava as contas e funcionalidades dos veículos à autorização para coletar dados em sites externos.
A decisão manda a Meta manter contas, páginas e ferramentas dos associados no ar, sem bloqueio para quem recusar os termos. A multa é de R$ 1 milhão por dia, limitada a R$ 100 milhões, e vale até o julgamento definitivo. Em 28 de outubro, um tribunal da Noruega já havia suspendido as mesmas regras após ação de dez grupos de mídia, informa o tudoradio.
"A liminar é um sinal muito positivo de que há limites no abuso de poder econômico", disse Marcelo Rech, presidente-executivo da ANJ. A Meta não havia se manifestado nas reportagens até a publicação.
Publicis e Neooh compram o outro lado
Em 02/11, o Publicis Groupe concluiu a compra da LiveRamp por US$ 2,2 bilhões, relata o Meio&Mensagem. A holding vai somar a operação à Epsilon. A rede da LiveRamp tem 25 mil publishers e mais de 500 parceiros de dados e tecnologia.
Também nesta terça, a Neooh assumiu a venda de mídia em 18 aeroportos da Socicam, 11 deles no interior paulista, segundo o Propmark. O pacote vai de painéis de LED a carrinhos de bagagem e bandejas de raio-X.
O que isso muda para as emissoras de rádio
Os três fatos têm o mesmo fio: quem detém o conteúdo, o dado de audiência ou o espaço físico está cobrando por ele. A liminar protege rádios e TVs associadas da ABERT de entregar conteúdo de graça em troca de manter a página.
Para o comercial da emissora, o recado é prático. A conta no Instagram que entra no pacote do patrocinador segue de pé enquanto a ação corre. E o anunciante regional de Rio Preto ou Presidente Prudente ganha uma tela nova no aeroporto disputando a mesma verba local do spot.
Quem vende rádio no interior paulista deve olhar quais marcas vão ocupar esses terminais. O preço do anúncio digital já vinha subindo, como mostrou o balanço das big techs.