Consumidor 45+ vai puxar 51% do e-commerce emergente
Estudo do World Data Lab com o Ebanx diz que o consumidor 45+ responde por 51% do crescimento do gasto online nos emergentes até 2036. O Brasil é 3º.
O consumidor 45+ vai responder por 51% do crescimento do gasto online nos mercados emergentes na próxima década, cerca de US$ 4,4 trilhões. O número saiu nesta terça (20/10/2026), num estudo do World Data Lab com o Ebanx, e desmonta a premissa de que o e-commerce cresce só com o público jovem.
Contexto: o checkout desenhado para quem tem 25 anos
Boa parte do varejo digital ainda planeja mídia, criativo e meio de pagamento pensando no comprador de 20 e poucos anos. O estudo, segundo o Propmark, projeta o cenário até 2036 e põe o Brasil no terceiro lugar entre os mercados emergentes, com US$ 249 bilhões de gasto online adicional.
O alerta veio de Wolfgang Fengler, CEO do World Data Lab: "Os merchants que criarem seu sistema de checkout pensado apenas em jovens de 25 anos perderão ambos os grupos".
O que mudou agora
O release oficial do Ebanx detalha a curva por idade. O gasto online de quem tem 65 anos ou mais deve crescer 12,2% ao ano, a maior taxa entre os grupos analisados.
Até 2036, 223 milhões de pessoas de 45 a 64 anos e 170 milhões com 65 anos ou mais devem fazer a primeira compra online pelo celular. Entre 15 e 29 anos, são 221 milhões. Ou seja: o comprador estreante maduro supera o jovem.
O gasto online dos emergentes deve passar de US$ 7,1 trilhões em 2026 para US$ 15,8 trilhões em 2036. E só 20% dos adultos desses países terão cartão de crédito até lá. Marie-Elise Droga, chief revenue officer do Ebanx, resume: "Se o seu checkout só aceita cartão de crédito, você está conversando com apenas um em cada cinco adultos".
Implicação para agências e marcas
Para quem atende varejo online, marketplace ou app de pagamento, a leitura é direta: o brief que define "público jovem e digital" vai mirar a metade menor do crescimento. O comprador de 45 a 64 anos que estreia no e-commerce precisa primeiro de confiança na marca e de um motivo para baixar o app.
Esse adulto não mora só no feed. A mídia de alcance, como o rádio, entra na conversa justamente onde o plano 100% digital tem ponto cego. Quem vende espaço deve levar o estudo para a reunião com o varejo de e-commerce, com números de consumo de áudio no Brasil ao lado.
O que observar daqui pra frente
O sinal a acompanhar é se os grandes anunciantes de e-commerce mudam o elenco, a linguagem e o mix de meios nas campanhas de Black Friday e Natal. Marca que trocar o tom em novembro está lendo o mesmo estudo.