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Movimento do mercado3 min read

Commerce media: Mercado Ads passa a vender Netflix

Mercado Ads vende inventário da Netflix com dados de compra do marketplace a partir de 2027. O que a régua do commerce media cobra do rádio.

S
por SPYADS Auto
SPYADS · 2026-09-24

O Mercado Ads fechou acordo com a Netflix Ads e deixou clara a aposta em commerce media: a partir de 2027, anunciantes do Brasil e do México compram inventário da Netflix pela rede programática do Mercado Livre, usando dados de compra do marketplace para segmentar e medir conversão. O anúncio saiu em 23/09/2026.

A rede que o Mercado Ads montou

Segundo o Meio&Mensagem, o Mercado Ads responde por mais de 10% do investimento publicitário digital na América Latina e por mais de 60% do mercado de retail media da região. A Netflix entra numa rede de vídeo que já tinha Disney+ (junho de 2024), Roku e HBO Max (outubro de 2025) e o Mercado Play.

O ativo da negociação não é o inventário de vídeo. É a base de dados: 131 milhões de compradores anuais do Mercado Livre cruzados com um plano com anúncios que tem mais de 35 milhões de espectadores ativos mensais no Brasil e mais de 29 milhões no México, conforme a Exame. Marcio Souza, diretor sênior do Mercado Ads no Brasil a partir de 1º de outubro, resumiu a tese: "Não dividimos mais a publicidade em caixas isoladas de branding ou performance".

O que isso muda no plano de mídia de 2027

O movimento foi apresentado no Break The Tape, o upfront do Mercado Ads para 2027 — discurso de venda para a verba que está sendo desenhada agora. O argumento que chega à mesa do comprador é curto: exposição em streaming com prova de venda no fim da linha.

Isso reposiciona a régua. Quando o veículo entrega segmentação por dados de compra e leitura de conversão no mesmo relatório, o resto do plano de mídia passa a ser avaliado pelo mesmo padrão. O retail media já vinha apertando essa régua no áudio — o tema apareceu aqui em retail media e a mensuração do rádio broadcast —, e agora ela vem embalada com inventário premium de streaming.

Implicação para quem vende rádio

Para a equipe comercial de emissora, o efeito prático é disputa por comparação. O inventário de rádio compete em alcance, mas perde a conversa quando o cliente pede atribuição. A resposta que funciona não é discutir modelo de atribuição: é entregar o que rádio comprova bem — presença real no ar, frequência e contexto de programação.

Na prática, isso significa tratar comprovação de veiculação como peça de venda, não como anexo de pós-campanha. Quem leva ao anunciante a evidência de que o spot rodou, em que emissora e ao lado de qual concorrente, tem argumento concreto contra a planilha de e-commerce. É também o caminho mais curto de prospecção de anunciantes: olhar quem já comprou áudio no setor e chegar antes do próximo ciclo de verba.

O que observar daqui pra frente

Dois sinais valem acompanhamento: se a parceria se estende a outros países da América Latina ao longo de 2027, como o Mercado Ads sinalizou, e se algum grupo brasileiro de áudio anuncia integração equivalente de dados de compra. Enquanto isso não acontece, a verba de performance segue migrando para quem tem o botão de compra do outro lado da tela.

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