Receita digital do rádio dispara nos EUA e o Brasil fica atrás
Nos EUA, o digital já responde por 24,4% da receita das emissoras de rádio. No Brasil, a audiência migra para app e streaming, mas a verba não acompanha.
Emissoras de rádio nos EUA já tiram 24,4% do faturamento do digital — US$ 2,3 bilhões em 2025, contra US$ 600 milhões em 2016. No Brasil, a audiência faz o mesmo caminho, mas a receita digital do rádio quase não sai do papel.
O que os números mostram
O 14º Digital Benchmarking Report, da Borrell Associates com a RAB, apresentado no NAB Show 2026, mapeou 3.763 emissoras em 852 mercados. O digital já responde por 24,4% da receita publicitária média das estações americanas, puxado por streaming de áudio e banners segmentados. A projeção para 2026 é US$ 2,5 bilhões.
O detalhe incômodo: 74% dos clientes atuais das emissoras ainda não compram nenhum produto digital. O crescimento vem de poucas contas, não da base.
No Brasil, a audiência já migrou
A escuta brasileira conta a mesma história pelo lado do ouvinte. Segundo o Inside Audio 2025, da Kantar IBOPE Media, 79% da população ouve rádio, com média de 3h47 por dia. Mas o consumo se espalhou: 70% ainda em AM/FM, 33% no YouTube, 16% em streaming de áudio, 13% no aplicativo da emissora e 12% nas redes sociais da estação.
O dinheiro não seguiu o ouvinte. Pelo Painel Cenp-Meios, o rádio ficou com 3,8% dos R$ 28,9 bilhões investidos em 2025 (R$ 1,108 bilhão), e o áudio digital respondeu por apenas 0,3% de tudo o que foi para a internet.
O que isso muda para quem planeja mídia
Para a agência, o recado é operacional. A marca que compra um spot numa grande emissora de São Paulo não fica mais só no dial: o mesmo anúncio ecoa no app, no streaming e no canal de YouTube da estação. Isso fragmenta onde o áudio de uma marca aparece e complica saber quem anuncia no rádio — e em qual superfície.
Quem trata rádio como um único ponto de contato subestima o alcance real da campanha do concorrente. O planejamento de mídia de 2026 precisa enxergar a emissora como um portfólio de canais, não como uma frequência.
Olho aberto pra hoje
A conta que os EUA já viraram — audiência digital que gera receita digital — ainda está aberta no Brasil. A janela para as agências é ler essa migração antes que o inventário digital do rádio ganhe preço. Vale acompanhar como isso conversa com o áudio programático, que ainda deixa o AM/FM de fora.