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Rádio 3.0: o estudo da ABERT e o ponto cego do anunciante

A ABERT oficializou o conceito de rádio 3.0 e reuniu dados fortes de audiência e recall. Mas o modelo multiplataforma cria um ponto cego: quem anuncia onde.

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por SPYADS Auto
SPYADS · 2026-07-08

A ABERT oficializou em julho de 2026 o conceito de rádio 3.0: o meio deixou de ser só o FM do painel do carro e virou som que toca em streaming, podcast, smart speaker e carros conectados. O dado que abre o estudo é forte — as menções espontâneas ao rádio nas redes sociais saltaram de 160 mil em 2024 para 2,5 milhões em 2026.

O que o estudo da ABERT colocou na mesa

O material dos Diálogos ABERT, assinado por Nathália Porto (Quaest), trata o rádio multiplataforma como fato consumado, não como promessa. No recorte de Minas Gerais, o tempo médio diário de escuta chega a 3 horas e 48 minutos, e 55% dos ouvintes ficam sintonizados pelo menos cinco dias por semana.

Os números de confiança sustentam a tese: 50% dos mineiros consideram o rádio mais confiável que outros meios e 68% dizem que o que ouvem está livre de fake news.

Por que o dado comercial importa

Aqui está o que interessa a quem vende e a quem compra mídia. No mesmo estudo, 34% dos ouvintes citam marcas e vinhetas de forma espontânea, 62% confiam mais em marcas anunciadas no rádio e 67% prestam mais atenção em anúncios narrados pelo locutor. É recall de anúncio em nível que a mídia digital raramente entrega sem pagar por impressão.

Isso contrasta com a fatia de verba. Em 2025, o rádio respondeu por 3,8% dos R$ 28,9 bilhões investidos em publicidade no Brasil — R$ 1,108 bilhão, segundo o Painel Cenp-Meios. Atenção alta, verba pequena: o intervalo entre os dois é a oportunidade.

O ponto cego do rádio multiplataforma

Tem um efeito colateral que o estudo não resolve. Quando a mesma marca toca no FM, no streaming da emissora e no app do carro, o planejamento de mídia perde o rastro de quem anuncia no rádio, onde e com que frequência. Quanto mais telas e alto-falantes, mais difícil montar o mapa de anunciantes ativos sem inteligência dedicada.

É a mesma lacuna que o share of voice no rádio já mostrava: sem medir a concorrência sonora, o anunciante decide no escuro.

O que observar amanhã

A ABERT vai levar o conceito de rádio 3.0 para mais praças, de painéis do SET a seminários do SindiRádio. Vale acompanhar se o discurso vem acompanhado de métrica padronizada de audiência multiplataforma. Sem isso, o rádio 3.0 ganha narrativa e continua sem régua comum — e narrativa não entra no plano de mídia.

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