Planejamento de mídia para Black Friday começa agora
Pesquisa do Google mostra 41% dos brasileiros gastando mais na Black Friday 2026 e só 48% comprando. O que isso muda no plano de mídia de varejo.
O Google divulgou em 26/08/2026 a leitura de intenção de compra da Black Friday 2026 no Brasil. São 41% dos brasileiros esperando gastar mais do que em 2025 — e apenas 48% pretendendo comprar na data, contra 61% no ano passado. Menos compradores, ticket maior.
O que o Google mediu
O Google encomendou dois levantamentos: a Offerwise ouviu 2 mil brasileiros em julho de 2026 e a Quantas, 4 mil consumidores em junho, segundo o Meio&Mensagem. O material analisou 16 categorias de produto e foi apresentado por executivas do Google Brasil, conforme o propmark.
O contraste financeiro sustenta a leitura. 51% dos entrevistados dizem estar com a renda comprometida, mas 41% ainda projetam gastar mais do que em 2025. "Apesar de o bolso do consumidor estar mais apertado, sempre há expectativa pelo melhor desconto", disse Gleydis Salvanha, diretora de Varejo e Tecnologia do Google Brasil.
A decisão de compra já começou
O dado mais acionável não é o volume, é o calendário. Em agosto, três meses antes da data, 44% dos consumidores já pesquisam preços e 48% já têm a lista pronta. E 30% já sabem em qual loja vão comprar antes de a primeira promoção entrar no ar.
O apetite por incentivo completa a equação: 81% dos brasileiros querem incentivo na compra e 80% procuram descontos ativamente. Traduzindo para mídia: a marca que só aparece em novembro disputa uma decisão que boa parte do público tomou em setembro.
O que muda no plano de mídia
Se a escolha de loja se forma entre agosto e outubro, o planejamento de mídia para Black Friday deixa de ser campanha de duas semanas e vira curva de três meses. Frequência antes do pico vale mais do que volume no pico.
Para quem vende inventário de rádio, o efeito é de agenda comercial. O plano de mídia de varejo do quarto trimestre costuma ser fechado em setembro. Ou seja: a prospecção de anunciantes de varejo precisa acontecer nas próximas semanas, não em outubro. Chegar com proposta em novembro é chegar depois da assinatura.
Com metade dos entrevistados de renda comprometida, desconto vira o centro da mensagem — e mensagem de desconto pede repetição, não peça única. É o terreno em que rádio compete bem: frequência previsível em praça definida, com custo travado no fechamento.
O que observar daqui pra frente
Dois sinais valem acompanhamento até outubro. O primeiro é a estreia das campanhas dos anunciantes de varejo: se migrarem para outubro, a disputa por inventário de setembro encarece. O segundo é a forma de pagamento — 56% pretendem usar Pix e 52%, cartão parcelado. Varejista que vende à vista escreve um spot diferente de quem parcela.
Antes de montar a lista, compare os setores que mais anunciam no rádio com a carteira atual e decida onde a verba de varejo vai bater neste quarto trimestre.