Painel do carro vira novo inventário de rádio no Brasil
Rádios brasileiras entram na plataforma DTS AutoStage e a tela do carro conectado vira inventário publicitário — mas a monetização ainda não chegou ao país.
Em janeiro de 2026, a Rádio Globo FM 98.1 (Rio) e a BH FM 102.1 (Belo Horizonte) entraram na plataforma DTS AutoStage, da Xperi — o mesmo sistema que a rede CBN integra desde 2025. O movimento confirma uma virada que o mercado brasileiro ainda subestima: a tela do carro conectado virou inventário publicitário, e o rádio chegou primeiro nesse espaço.
O que está em jogo no painel do carro
O DTS AutoStage transforma o painel multimídia do veículo num display híbrido — junta a transmissão de rádio tradicional com dados e imagem via internet. Segundo o Portal dos Jornalistas, emissoras como Globo FM, Metropolitana e Grupo Massa já enviam metadados para painéis de modelos Mercedes-Benz, BMW, Tesla e Hyundai equipados com hotspot.
A Xperi anunciou que pretende monetizar essa base a partir de 2026, com publicidade segmentada exibida na tela — mensagens ajustadas por horário, clima, localização e perfil de quem ouve. A monetização ainda não chegou ao Brasil, mas as emissoras já se posicionaram no tabuleiro, segundo a Tudo Rádio.
O padrão que está se formando
O rádio sempre foi um meio cego: áudio sem retorno visual nem dado de quem escuta. O carro conectado quebra isso. Pela primeira vez, o painel devolve heat map por região, tempo de permanência e ranking de audiência em menos de 24 horas, segundo a Xperi.
Os números sustentam a aposta. A Deloitte projeta que 72% das montadoras lançarão modelos com conexão nativa até 2027. A Edison Research mostra que 89% dos ouvintes de rádio nos EUA escutam principalmente dentro do carro. E a PwC estima que a publicidade contextual automotiva cresça 18% ao ano até 2030.
Para a agência, a leitura é direta: surge um inventário novo — visual, sincronizado ao áudio, no mesmo segundo em que o spot toca. Quem planeja rádio só pensando em alcance bruto está olhando metade da tela. A outra metade, literalmente, é o display do carro. É o mesmo gap de mensuração que separa o rádio de Netflix e YouTube — e o carro conectado é onde o rádio pode fechá-lo primeiro.
O que esperar daqui pra frente
A monetização da tela depende de duas coisas no Brasil: massa de veículos conectados rodando e contrato comercial da Xperi com as emissoras locais. As duas estão atrasadas em relação aos EUA, mas o movimento de janeiro mostra que os grupos grandes não querem ficar de fora. Para 2026, o ponto a observar é qual rede fecha o primeiro pacote de publicidade visual no painel — e a que preço.