Movimentação de executivos: quem decide mídia mudou
A movimentação de executivos da semana trocou o comando de mídia na BETC Havas e o CEO da Galeria. O que isso muda no plano de mídia do trimestre.
A movimentação de executivos desta semana no mercado publicitário brasileiro tem um padrão: as agências estão trocando quem decide mídia, não só quem cria. A BETC Havas contratou um Chief Media Officer e a Galeria anunciou nova CEO com um dia de diferença.
O que mudou na semana
A BETC Havas anunciou Vitor Kamada como Chief Media Officer em 16/09/2026, segundo o propmark. Ele responde pela operação de mídia e de business intelligence da agência e chega com quase 20 anos de experiência em comunicação, mídia e inovação. Veio da Talent, onde era VP de Mídia & BI, e antes passou pela Rede Globo, pela estruturação da área de mídia do QuintoAndar e pelos cinco primeiros anos da Suno United Creators.
No dia seguinte, a Galeria confirmou a sucessão no comando. Ana Coutinho deixa a vice-presidência de negócios e assume como CEO e sócia da agência. Eduardo Simon, até então CEO, passa a chairman da Galeria Holding, e Rafael Urenha troca o cargo de CCO pelo de chairman criativo do grupo. A Galeria Holding reúne 13 empresas de comunicação, marketing e tecnologia, tem 500 colaboradores e ocupa o terceiro lugar em compra de mídia no ranking Cenp Meios, segundo o propmark.
A lista da semana não para nas agências. Eduardo Barreto entrou na Talent como diretor-executivo de estratégia e dados, Monique Ferreira foi promovida a diretora executiva financeira da Dentsu Brasil, Tariana Cruz assumiu como gerente sênior de marketing da Decolar, Ana Quintela virou superintendente de marketing da Allianz Seguros e Maurício Jacob é o novo diretor comercial do Times Brasil/CNBC, segundo o propmark.
Por que a cadeira de mídia pesa agora
O cargo que Kamada assume junta duas coisas que costumavam andar separadas na agência brasileira: comprar mídia e ler dado. Quando a mesma pessoa responde por veiculação e por business intelligence, a conversa de venda deixa de ser sobre tabela e passa a ser sobre evidência.
O contexto da BETC Havas ajuda a entender o movimento. A agência ganhou a conta do PicPay há menos de um ano e ficou de fora da nova concorrência aberta pela fintech, cujo contrato atual termina em outubro de 2026. Reforçar o topo da área de mídia enquanto uma conta relevante sai do radar é recomposição, não inércia.
Para quem vende inventário de rádio, o efeito prático é outro. Executivo novo em cadeira de mídia reabre o plano de mídia dos clientes da casa. E os pedidos de inserção do quarto trimestre — Black Friday, Natal e verão — estão sendo fechados agora, por gente que herdou decisões que não assinou.
O que fazer com essa lista
Trate a movimentação de executivos como gatilho de prospecção de anunciantes, não como nota de bastidor. A janela é curta: quem acabou de assumir é quem mais revisa fornecedor, formato e praça.
Separe a lista em duas colunas. Agência (BETC Havas, Galeria, Talent, Dentsu Brasil) decide veículo, praça e volume. Anunciante (Decolar, Allianz Seguros) decide verba e prioridade de categoria. A abordagem muda conforme a coluna: para a agência, leve comprovação de veiculação da categoria do cliente; para o anunciante, leve o share de voz que os concorrentes dele já têm no ar.
O que observar daqui pra frente
Duas coisas. Se a Talent recompõe a vice-presidência de mídia e BI que Kamada deixou — cadeira vaga em agência desse porte costuma atrair nome conhecido do mercado em poucas semanas. E se a nova estrutura da Galeria Holding, terceira em compra de mídia no Cenp Meios, altera a régua de escolha de meio nos clientes fundadores: Itaú, Natura, McDonald's, Vivo e Doriana.