Mídia Dados 2026: a base do plano e o que falta nela
O Grupo de Mídia de São Paulo liberou o Mídia Dados 2026 com mais de 200 dashboards e acesso gratuito. O que a série histórica resolve — e o que não.
O Grupo de Mídia de São Paulo liberou em agosto de 2026 o Mídia Dados 2026, compêndio que chega aos 39 anos com mais de 200 dashboards atualizados e download gratuito. É a base que quase toda área de planejamento de mídia no Brasil vai consultar no próximo ciclo — e vale ler sabendo onde ela para.
O que o Grupo de Mídia de São Paulo publicou
A edição saiu em formato digital nativo, com acesso livre em Excel, PDF e PPT, segundo o Adnews. O material reúne dados de mais de 80 institutos e entidades — Cenp, Comscore, IAB e IVC entre eles — e traz recortes novos sobre economia da atenção, retail media, games, TV conectada e marketing de influência.
Luciana Schwartz, diretora do Mídia Dados no Grupo de Mídia de São Paulo, aponta onde está o valor do projeto: "o maior diferencial do Mídia Dados está na construção de uma série histórica única". A primeira edição saiu em 1987, conforme a Abramark.
Nesta edição há uma mudança de status: o compêndio vira base metodológica dos cursos técnicos da plataforma educacional do grupo, de acordo com o Propmark. Deixa de ser só material de consulta e vira currículo.
Por que isso mexe com quem compra rádio
Rádio é o meio em que o planejador quase nunca tem número público na mão na hora da reunião. Um compêndio gratuito, com série histórica de quase quatro décadas, muda o piso da conversa: dá para sustentar alcance, perfil de audiência e peso do meio sem depender só do deck do veículo.
O efeito prático aparece na negociação. Quando comprador e veículo olham a mesma fonte pública, a discussão sai de "quanto você acha que entrega" para "quanto vale o ponto acima da média do meio". Já tratamos do peso do rádio no share do Painel Cenp-Meios; o Mídia Dados é a camada estrutural em volta daquele número.
Onde a série histórica para
Compêndio anual responde estrutura, não movimento. Ele diz quanto o meio pesa e quem escuta. Não diz qual marca entrou em qual emissora nesta semana, com que frequência e em que faixa horária — e é essa segunda pergunta que decide pitch de prospecção e defesa de conta.
O descompasso é de ciclo. O plano anual roda em base anual; decisão de compra de rádio no varejo roda em semanas. Entre uma edição e a próxima, o inventário de uma emissora se mexe inteiro: anunciante entra, sai, troca de faixa.
O que observar daqui pra frente
Guilherme Cavalcante, presidente do grupo, diz que a publicação "disponibiliza reports periodicamente atualizados". Vale acompanhar se essa cadência se sustenta fora da edição anual — a distância entre "anual" e "periódico" é exatamente o intervalo que hoje fica cego para quem vende e para quem compra rádio.