Publicidade no Brasil cresce 9,1% e o rádio quer a fatia
Investimento publicitário no Brasil deve subir 9,1% em 2026, o maior salto entre os grandes mercados, projeta a dentsu. O que muda para quem vende rádio.
Em 03/12/2025, a dentsu projetou que o investimento publicitário global vai superar US$ 1 trilhão pela primeira vez em 2026 — e que o Brasil cresce 9,1%, o maior salto entre os grandes mercados. É verba nova entrando no jogo, mas ela não chega distribuída por igual.
O que a dentsu projetou
Segundo o relatório Global Ad Spend Forecasts da dentsu, a publicidade global cresce 5,1% em 2026 e cruza a marca de US$ 1 trilhão. O Brasil aparece na ponta, com alta de 9,1% no investimento publicitário — a mais rápida entre os grandes mercados monitorados.
A ABC da Comunicação aponta os dois motores da conta brasileira: a Copa do Mundo da FIFA e as eleições presidenciais, que aquecem a demanda de varejo, finanças, telecom e governo.
O vetor do crescimento é digital. A publicidade digital sobe 6,7% e concentra quase 70% de todo o bolo. Dentro dela, o retail media puxa a fila com 14,1%, seguido de vídeo online (11,5%) e social (11,4%). A dentsu chama esse arranjo de "era algorítmica" — mídia comprada por dado e automação.
Por que importa para o rádio
Rádio não está na lista de canais que a dentsu destaca como motor de alta. Isso não é sentença de morte; é sinal de disputa. Num mercado publicitário brasileiro que cresce quase o dobro da média global, cada ponto de verba de rádio precisa ser defendido com evidência, não com hábito.
O anunciante que reparte orçamento entre retail media e vídeo cobra do rádio a mesma clareza que tem no digital: onde a mensagem tocou, para quem e ao lado de qual concorrente. Quem chega com esse dado na mesa de negociação briga pela fatia. Quem chega só com alcance bruto entrega a decisão para o canal do lado.
Rádio e áudio digital, aliás, não brigam pela mesma verba: o áudio já entrou no plano de mídia, falta o recorte que prove o retorno de cada real.
Olho aberto pra hoje
Com a virada do trimestre, começam a sair os primeiros números de investimento de 2026 no Brasil. Vale acompanhar se a alta de 9,1% se confirma na prática e quanto dela escorre para o áudio. Para a agência que planeja rádio, o recado do relatório é operacional: fecho de inventário se ganha com prova de veiculação, não com promessa.