Investimento em mídia sobe 18,3% e o áudio se espalha em telas
O Cenp aponta R$ 5,5 bilhões em investimento em mídia no primeiro trimestre de 2026, alta de 18,3%. O rádio segue forte, mas a audiência se espalha em telas.
O investimento em mídia no Brasil somou R$ 5,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 18,3% sobre o mesmo período de 2025, segundo o Cenp. O dinheiro voltou — mas chega mais espalhado, e o rádio é o caso mais claro disso.
O que os números dizem
O levantamento do Cenp (Fórum de Autorregulamentação do Mercado Publicitário) ouviu 297 agências e apontou um acréscimo de R$ 864,9 milhões em compra de mídia entre janeiro e março, segundo a Propmark. O ritmo supera com folga a expansão de 1,8% do PIB no período.
"Foi um trimestre de fôlego para nossa indústria", disse Melissa Vogel, presidente do Cenp. Boa parte do impulso veio da antecipação de verba para a Copa do Mundo, que joga marcas para dentro do planejamento antes do segundo semestre.
Televisão e internet seguem concentrando o maior faturamento. O rádio aparece reafirmado como meio confiável — mas a leitura interessante não está no total, e sim em onde esse consumo acontece agora.
Por que o rádio se espalhou
O rádio é ouvido por 79% da população brasileira, segundo a Kantar IBOPE Media. O ponto é que esse alcance deixou de morar só no dial. O consumo de rádio hoje se divide entre o aparelho tradicional AM/FM, o YouTube, os serviços de streaming de áudio, os aplicativos das próprias emissoras e as redes sociais.
Para o anunciante, isso muda o problema. Em 2018, comprar inventário em rádio era escolher praça e horário. Em 2026, o mesmo spot pode tocar no dial de São Paulo de manhã e reaparecer num corte de YouTube à tarde, com a audiência do rádio diluída em várias telas.
A verba cresce, o alcance se mantém alto, mas a visibilidade sobre onde a marca realmente apareceu encolhe. Já tratamos dessa tensão entre crescimento e fragmentação em rádio que cresce mas perde share de mídia.
O que observar no segundo semestre
Com a Copa puxando antecipação de verba, o segundo semestre de 2026 deve concentrar disputa por cota em rádio esportivo e por inventário em São Paulo. Quem planeja mídia para o período tem uma pergunta prática: dá para provar onde cada real de rádio foi parar?
A resposta separa quem compra no escuro de quem compra com mapa. Verba grande sem rastreabilidade vira relatório de fé. Verba grande com checagem de veiculação vira argumento de renovação na mesa do cliente.