Investimento em áudio cresce nas redações e mira o rádio
Pesquisa do Reuters Institute mostra que 71% das redações vão investir mais em áudio e podcast em 2026. Para o rádio brasileiro, é vitrine e alerta.
Em 2026, 71% das redações do mundo planejam investir mais em áudio e podcast, segundo o Reuters Institute. O dado diz menos sobre jornalismo e mais sobre uma aposta: som é o formato que a inteligência artificial ainda não fragmentou. Para o rádio brasileiro, é vitrine — e também um alerta.
O que aconteceu
O relatório anual do Reuters Institute for the Study of Journalism, assinado por Nic Newman, ouviu 280 executivos de mídia em 51 países. O resultado publicado no início de 2026: 71% deles vão ampliar o investimento em áudio, sobretudo podcasts e novos formatos sonoros. Vídeo lidera a fila de prioridades — 79% priorizam o formato, puxado pelo YouTube — mas o áudio aparece logo atrás, à frente do texto puro.
A leitura brasileira veio pela Coletiva: o investimento em áudio no jornalismo cresce no mesmo ano em que a confiança geral no jornalismo caiu para 38%, 22 pontos abaixo do nível de quatro anos atrás. O áudio vira aposta de reconexão — narrativa longa, voz humana, hábito diário.
Por que importa pro rádio
O movimento das redações não é sobre rádio, mas valida o meio. Se o consumo de áudio segura a atenção que o feed dispersa, o inventário sonoro brasileiro — rádio FM, AM, streaming e podcast — ganha valor de mídia, não só de audiência. No Brasil, onde nove em cada dez pessoas ouvem algum formato de áudio todo mês, esse inventário de áudio é grande e espalhado entre dezenas de emissoras e produtoras.
E aqui está o alerta: à medida que o áudio vira destino de verba, cresce a distância entre quem vende o espaço e quem enxerga quem está comprando. Uma agência que planeja rádio em São Paulo ainda monta a leitura da concorrência no olho, spot a spot. O dinheiro entra mais rápido que a inteligência que deveria guiá-lo.
Olho aberto pra hoje
A pergunta que fica pra reunião das 9h: se o áudio é o formato da vez, quem na sua carteira já está anunciando nele — e em qual emissora? Enquanto o setor comemora o gráfico de investimento em áudio, a vantagem competitiva mora no detalhe que quase ninguém mede. Vale cruzar essa aposta macro com o que já discutimos sobre a participação do rádio no segundo semestre.