Áudio fica estável e a participação do rádio vira escolha
A WPP Media projeta áudio global estável em US$ 27,3 bi. No segundo semestre, a participação do rádio deixa de ser inércia e vira decisão de verba.
As marcas já estão recalibrando a verba de mídia para o segundo semestre, e o retrato global traz um alerta para o rádio. A previsão da WPP Media para o primeiro semestre, divulgada em junho e publicada pelo Meio&Mensagem em 01/07, projeta o áudio global praticamente estável, em US$ 27,3 bilhões, enquanto a TV por streaming cresce 17,2% e o social e digital soma US$ 465,2 bilhões, com alta de 12,8%. Áudio parado num mercado que acelera significa uma coisa: a participação do rádio vira escolha ativa, não inércia de mídia.
O que a previsão diz
Segundo a WPP Media, via Meio&Mensagem, a receita publicitária global deve crescer entre 8,3% e 8,9% em 2026. O avanço não é homogêneo. Streaming, social, retail media e esporte puxam a curva; a TV linear e o impresso perdem terreno, com as revistas recuando 7,1%. No meio dessa reorganização, o áudio total fica "praticamente estável, em US$ 27,3 bilhões" — sem encolher, mas sem acompanhar a aceleração do resto.
Estabilidade não é morte, é sinal. Num bolo que engorda, ficar parado é perder participação relativa. O anunciante que remonta o plano para os próximos meses olha primeiro para onde a linha sobe.
Por que o Brasil muda a conta
Aqui a leitura não é a mesma. O mercado brasileiro movimentou R$ 5,5 bilhões em compra de mídia no primeiro trimestre de 2026, alta de 18,3% sobre 2025, segundo o Painel Cenp-Meios, com 297 agências participantes. A presidente do Cenp descreveu o período como "um trimestre de fôlego", com anunciantes planejando cedo por causa de Copa e eleições.
Ou seja: o pote brasileiro cresce mais rápido que a média global. Isso é janela para o rádio, não ameaça — desde que o meio entre na mesa de planejamento de mídia reivindicando fatia, e não esperando a sobra do orçamento depois que streaming e social se servem.
Implicação para quem planeja
Para a agência que monta o plano de rádio do segundo semestre, a diferença entre estável e crescente se decide na argumentação. Um meio "estável" perde a disputa por default quando o planejador prioriza o que mais cresce. Reverter isso exige mostrar entrega concreta: qual marca anunciou, em qual emissora, com que frequência. O planejamento que compara rádio e áudio digital lado a lado precisa desse recorte para não tratar o rádio como uma linha genérica de "áudio".
O que observar
O próximo Painel Cenp-Meios, com o fechamento do primeiro semestre, vai indicar se a participação do rádio reagiu ao aquecimento de Copa e eleições ou se ficou parada como a média global do áudio. O número a acompanhar não é o total do mercado — esse cresce sozinho. É a fatia que o rádio consegue defender quando a verba de mídia se reorganiza.