Internet supera TV aberta e o rádio perde participação
No 1º trimestre de 2026, a internet superou a TV aberta pela primeira vez e o rádio perdeu participação na verba, mesmo faturando mais. O que ler nisso.
No primeiro trimestre de 2026, a internet superou a TV aberta pela primeira vez como maior meio individual de publicidade no Brasil: R$ 2,14 bilhões contra R$ 1,75 bilhão, segundo o Painel Cenp-Meios. No mesmo bolo, o rádio faturou R$ 176,4 milhões — cresceu 4,6%, mas perdeu participação, de 3,6% para 3,2%.
O que mudou na distribuição da verba publicitária
O mercado movimentou R$ 5,58 bilhões entre janeiro e março, alta de 18,3% sobre 2025, segundo o Meio&Mensagem. É crescimento real: o PIB avançou 1,8% no mesmo período, de acordo com o Valor Econômico.
O resumo do trimestre cabe numa frase: internet supera TV aberta pela primeira vez. Mas o dinheiro novo não chegou igual em todos os meios. A internet cresceu 24,3% e assumiu a ponta isolada, com 38,3% do total. A mídia exterior (OOH) foi o destaque: saltou 48,6%, para R$ 827 milhões, e já responde por 14,8% da verba, informou a Propmark. Somando TV aberta e por assinatura, a televisão ainda concentra 42%.
O rádio ficou no meio do caminho. Faturou mais em reais, mas menos em fatia — o sinal clássico de um meio que sobe devagar enquanto o bolo cresce rápido.
Por que perder fatia não é perder valor
A leitura fácil é "o rádio está encolhendo". A correta é outra: o rádio perde participação mesmo faturando mais porque os meios que dispararam — internet e a mídia exterior já comprada por automação — têm algo que o rádio historicamente não entregou no mesmo nível. Prova granular de onde, quando e para quem cada mensagem rodou.
Quando a verba migra para canais que comprovam veiculação em painel, o rádio disputa em desvantagem de evidência, não de audiência. O consumo segue alto. O que falta é a mesma régua de comprovação que o digital naturalizou.
Para agência e para o veículo, a implicação é direta: defender inventário de rádio em 2026 é menos sobre alcance bruto e mais sobre mostrar presença concreta — quais marcas anunciam, em quais emissoras, com que frequência.
O que observar nos próximos trimestres
O Painel Cenp-Meios é trimestral. O segundo trimestre vai dizer se a virada da internet sobre a TV aberta se firma ou foi efeito de um início de ano puxado pela Copa. Para o rádio, o número a acompanhar não é o faturamento absoluto — é a participação. Segurar os 3,2% já seria uma vitória num mercado que redistribui verba nessa velocidade.
Para o planejamento de mídia em rádio, a lição do trimestre é entrar no segundo semestre com um mapa claro de quem já está no ar. É a diferença entre argumentar com percepção e negociar com dado. Vale ler também nossa análise sobre share of voice no rádio.