Influência na decisão de compra: 81% e a busca decide
Estudo YouPix/Nielsen: 81% já compraram por indicação e 42% pesquisam com IA. O feed cria intenção, a busca fecha — e o rádio entra no meio.
O estudo "Consumo e Influência 2026", da YouPix com a Nielsen, saiu em 31/07/2026 com o número que fecha a semana: 81% dos brasileiros já compraram um produto indicado por um influenciador. No mesmo dia, a Globo levou ao mercado a cota de Copa do Mundo Feminina a R$ 150 milhões. São dois preços para a mesma atenção — e nenhum dos dois diz onde a compra é fechada.
Dois preços para a mesma atenção
Segundo o Meio&Mensagem, o Instagram lidera a recomendação de produtos e serviços entre as redes, com 80%. O TikTok foi o que mais cresceu como canal de descoberta de produto: saiu de 34% em 2025 para 51% em 2026. A pesquisa ouviu 1.000 pessoas entre 8 e 13 de maio de 2026.
O dado que mexe com planejamento de mídia é outro. 44% dizem descobrir novidades por influenciadores, contra 33% por amigos e familiares. A indicação pessoal, que sustentou décadas de boca a boca, perdeu para o feed.
Do outro lado do mesmo dia, o plano comercial da Copa do Mundo Feminina obtido pelo Meio&Mensagem prevê 12 cotas, seis na TV Globo e seis no SporTV, a R$ 150 milhões cada na TV aberta. Já escrevemos sobre o que esse pacote deixa de fora.
O padrão: descoberta no feed, decisão na busca
A parte menos comentada do estudo é a que importa para quem compra mídia. Depois do estímulo, 64% pesquisam mais sobre o produto e só 20% clicam no link na hora. Entre os que pesquisam, 66% recorrem ao Google, 60% a marketplaces e 42% já usam inteligência artificial — eram 11% um ano antes, segundo a Consumidor Moderno.
Ou seja: o feed cria a intenção, a busca pela marca resolve a compra. A influência na decisão de compra virou a largada, não a chegada.
É aí que rádio deixa de ser meio "tradicional" e vira infraestrutura barata de frequência. No Painel Cenp-Meios do primeiro trimestre de 2026, rádio ficou com share de 3,2% dos R$ 5,5 bilhões movimentados por 297 agências, contra 38,3% da internet e 31,3% da TV aberta. Rádio não vai disputar descoberta com o Instagram. Vai fazer o nome da marca ser digitado.
O que observar na segunda
Com 42% pesquisando por inteligência artificial, a pergunta do planejamento deixa de ser quantas pessoas ouviram e passa a ser quantas pessoas buscaram depois. Para agência de varejo regional, o teste custa pouco: duas semanas de rádio numa praça, resto do mix congelado, e leitura do volume de busca pela marca no período.
O que trava esse teste não é a mensuração de busca, que qualquer agência já tem. É saber o que a concorrência colocou no ar na mesma praça, no mesmo horário — o dado que quase ninguém tem na hora de montar o plano de mídia de rádio.