Copa do Mundo Feminina abre venda e o rádio fica fora
A Globo oficializou o projeto comercial da Copa do Mundo Feminina de 2027 em TV aberta, sportv, GE TV e digital. O rádio ficou fora do pacote.
A Globo oficializou em 30/07/2026 o projeto comercial da Copa do Mundo Feminina de 2027, que o Brasil sedia e cuja final está marcada para 25 de julho de 2027. O pacote apresentado a anunciantes cobre TV aberta, sportv, GE TV e plataformas digitais. Rádio não aparece na lista.
O que a Globo pôs na mesa
Na quarta-feira, 29 de julho, a Globo reuniu executivos de grandes anunciantes e de agências de publicidade em sua sede, em São Paulo, para apresentar o projeto comercial do torneio. Segundo o Meio&Mensagem, a TV paga abrigará todas as 64 partidas da competição, enquanto no sinal aberto a emissora planeja exibir até 56 jogos ao vivo. A cobertura começa em dezembro de 2026, com o sorteio dos grupos.
Os números levados à apresentação sustentam o pitch. O propmark registra que, em 2025, mais de 92 milhões de pessoas acompanharam conteúdos relacionados à modalidade nas plataformas da Globo, e que o volume de partidas de futebol feminino transmitidas passou de 82, em 2021, para 200, em 2026. Pesquisa da GloboAds citada na mesma reportagem aponta que 62% dos brasileiros afirmam ter interesse pelo futebol feminino e 60% pretendem acompanhar o Mundial de 2027. Entre quem já acompanha a modalidade, o percentual sobe para 92%.
Manzar Feres, diretora de negócios da Globo, resumiu a tese na apresentação: "Grandes eventos esportivos viram cultura quando uma transmissão se transforma em uma experiência compartilhada por um país inteiro". O histórico ajuda o argumento: em 2026, todas as cotas comerciais do Brasileirão Feminino foram vendidas.
O patrocínio foi desenhado em telas
O patrocínio da Copa do Mundo Feminina, do jeito que saiu, é um produto de telas. Nenhuma das duas reportagens cita rádio entre as plataformas do pacote. Isso não tira o meio do torneio, apenas retira o áudio da conversa guarda-chuva, aquela em que o anunciante resolve presença nacional com um interlocutor só.
Na prática, a compra muda de natureza. A cota de telas se fecha numa mesa. O áudio no mesmo ciclo é montado emissora a emissora, praça a praça, com grades, formatos e preços que não conversam entre si. Isso é planejamento, não assinatura de contrato.
E há uma assimetria conhecida no meio do caminho. Quem compra a cota recebe relatório de entrega do detentor dos direitos. Quem compra o spot local costuma receber um mapa de veiculação preenchido pela própria emissora que vendeu o horário, sem checagem independente. A comprovação fica nas mãos do vendedor.
O que fazer daqui até dezembro
A janela útil é longa, e isso é raro em mídia esportiva. O sorteio dos grupos, em dezembro de 2026, é o marco em que a demanda por inventário esportivo aperta. Até lá são quase cinco meses para levantar quais emissoras já vendem futebol feminino, quais marcas concorrentes já estão no ar e quanto se paga pelo horário nas praças que interessam.
Para a agência que atende varejo, telecom ou bebidas, a leitura é direta. O concorrente que aparecer na grade de rádio em janeiro provavelmente fechou a compra em setembro. Quem monta plano de mídia com base no que o meio divulga chega depois. O sinal confiável é o que está no ar hoje, emissora por emissora.
Para o recorte anterior sobre como o calendário esportivo pressiona o inventário de áudio, vale o mapa da mídia esportiva no segundo semestre.