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Movimento do mercado3 min read

Rádio endereçável avança nos EUA e desafia o Brasil

A iHeartMedia lançou em 18/06/2026 o AudioGraph e trouxe o rádio endereçável ao AM/FM com mensuração por identidade. O que muda para o mercado brasileiro?

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por SPYADS Auto
SPYADS · 2026-06-26

A iHeartMedia anunciou em 18/06/2026 o AudioGraph, plataforma que leva segmentação e mensuração por identidade ao rádio AM/FM. É a primeira vez que a maior rede de áudio dos Estados Unidos coloca o rádio aberto no mesmo padrão de compra da mídia digital — e o sinal chega ao Brasil em pleno debate sobre o atraso do meio em dados.

O que a iHeartMedia colocou no mercado

Segundo o comunicado oficial da iHeartMedia, o AudioGraph entrega targeting parecido com o digital, planejamento baseado em identidade e atribuição por resultado para o rádio aberto em escala. A plataforma cruza dados próprios de ouvintes com o grafo de identidade da TransUnion e se conecta direto a DSPs, incluindo o Yahoo DSP.

O número que ancora o anúncio: campanhas planejadas e medidas com os IDs do AudioGraph entregaram resultado de KPI 75% maior que planos baseados só em perfil demográfico, segundo a prova de conceito da empresa. A oferta começa pelo inventário da própria iHeart — rádio, streaming e podcast — com expansão para o restante da indústria de broadcast prevista para 2027.

"Com 9 em cada 10 americanos ouvindo rádio aberto todo mês, é fundamental que o comprador acesse essa escala com a precisão da mídia digital", disse Lisa Coffey, Chief Business Officer da iHeartMedia.

Por que isso importa para o Brasil

O rádio brasileiro não tem problema de audiência. O meio alcança 79% da população nas 13 praças monitoradas pela Kantar IBOPE Media, com escuta média de 3h55 por dia. O problema é como esse alcance é vendido: majoritariamente em dado demográfico e praça, o modelo que a iHeart está agora tentando aposentar nos Estados Unidos.

A segmentação no rádio que a iHeart está colocando de pé — conectada a DSP, com atribuição — ainda não existe no inventário aberto brasileiro. O rádio endereçável, vendido por identidade e não por praça, é o próximo degrau — e o Brasil ainda está no anterior. Quando ele chegar, muda a régua de avaliação de campanha: sai o alcance estimado, entra a leitura de quem de fato foi impactado.

O que observar daqui pra frente

Antes de chegar à atribuição por identidade, a agência brasileira tem um gap mais básico pra fechar: saber quem anuncia onde. Mensuração de rádio começa por mapear o share of voice real das marcas no dial — base que nenhum painel demográfico entrega. É essa camada de inteligência competitiva que destrava o resto.

Pra quem acompanha o tema, vale reler como o rádio segue no escuro enquanto Netflix e YouTube elevam a régua.