IA na contratação de agências: 54% já cobram prova
Pesquisa com 215 empresas mostra a IA virando critério na contratação de agências: 54% exigem e 88% querem saber quando ela é usada.
Três fatos de 06/08/2026 apontam para o mesmo critério de compra: a contratação de agências no Brasil passou a se decidir por tecnologia declarada, time sênior e reputação de veículo. Pesquisa da ActiveCampaign com a AnaMid mostra que 54% dos contratantes já tratam o uso de IA como exigência fundamental ou diferencial importante na escolha de parceiros.
O novo critério de contratação de agências
O levantamento ouviu 215 empresas, entre contratantes e fornecedores de serviços, e saiu nesta quinta-feira (06/08/2026) no propmark. Além dos 54%, o estudo aponta que 73% consideram algum estágio de uso de IA na escolha de parceiros. Só 23% dizem que o tema não influencia a decisão de contratação.
O número mais duro é o de transparência no uso de IA: 88% consideram importante que a agência informe explicitamente quando usa a tecnologia, e 71% defendem que essa transparência seja total. "A IA deixa de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passa a fazer parte da percepção de valor", diz Rodrigo Neves, presidente nacional da AnaMid.
Traduzindo para a mesa de negociação: o anunciante não pergunta mais se você usa. Pergunta onde usa, com que dado e com qual resultado.
Senioridade e reputação entraram no mesmo dia
Também em 06/08/2026, a Publicis Brasil anunciou seis contratações para a Publicis Flame, operação do Publicis Groupe dedicada ao Santander. Entre os nomes estão Junior Freitas, na direção executiva de mídia, e Cacá Franklin, na direção executiva de operações e negócios, segundo o propmark. São perfis de 15 a 20 anos de estrada, contratados para uma conta que a agência já atende.
O terceiro fato fecha o triângulo. O Prêmio Colunistas Rio 2025, divulgado hoje, elegeu a Artplan como Agência do Ano e deu o troféu de Veículo Eletrônico do Ano à Rádio Tupi, também no propmark. No dia em que o mercado discutiu evidência de tecnologia, o rádio apareceu premiado por reputação.
O que o rádio precisa levar na próxima concorrência
Reputação abre porta, mas não sustenta verba sozinha. Se 88% do lado comprador querem saber quando e como a tecnologia é usada, o meio menos mensurado da tabela vai ouvir a mesma pergunta — e hoje responde com pesquisa de praça defasada, não com evidência de veiculação.
O movimento prático para agosto é direto: quem levar rádio ao plano precisa levar junto o que os concorrentes do cliente veicularam, em quais emissoras e com qual frequência. É o tipo de prova que o digital entrega por padrão e que segura o argumento na hora de comparar meios. Vale reler a leitura das trocas de agência desta semana: conta muda de mãos quando a agência atual não consegue mostrar o porquê do plano.
Para amanhã, o que observar: se as próximas concorrências passarem a exigir declaração formal de uso de IA no escopo, como pedem os 71%, o custo de trabalhar sem dado próprio sobe para todo mundo. E rádio é o primeiro meio a sentir.