Direitos da Copa do Brasil: R$ 4 bi travados até 2030
A CBF fechou os direitos da Copa do Brasil de 2027 a 2030 por mais de R$ 4 bilhões. O que a concentração muda no plano de mídia de 2027.
A CBF fechou os direitos da Copa do Brasil de 2027 a 2030 com Globo, Amazon e ESPN, em acordo que supera R$ 4 bilhões — mais de R$ 1 bilhão por ano. No mesmo dia 11/09/2026, a Rede Massa FM confirmou a estreia de uma afiliada em Goiânia. Os dois fatos contam a mesma história por lados opostos do mercado de mídia.
O que rolou hoje
O pacote da CBF é o maior já vendido no futebol brasileiro. A Globo fica com TV aberta, TV fechada e pay-per-view, e passa a exibir 14 jogos a partir da quinta fase — hoje são oito, começando nas oitavas. O Prime Video leva 18 partidas por temporada, com a final incluída, e a ESPN volta ao torneio depois de 11 anos fora, segundo a Exame. O contrato ainda embute as edições da Supercopa Rei de 2028 a 2031, de acordo com o Meio&Mensagem.
A competição também engorda. Sai de 92 participantes para 126 em 2026 e 128 em 2027, e de 122 jogos para 155 e depois 157. A própria CBF assume a produção do sinal de todas as partidas — no ciclo atual, 55 jogos sequer chegaram a ser exibidos, informa a Máquina do Esporte.
Enquanto isso, às 16h desta sexta, a Rede Massa FM confirmou a estreia da afiliada de Goiânia, na 103,7 FM, para 23 de setembro, com prévia de programação a partir do dia 14. É a primeira praça da rede em Goiás, no ano em que ela completa 20 anos, segundo o Tudo Rádio.
O que os direitos da Copa do Brasil deixam para o rádio
Quatro anos de exclusividade em três compradores tiram a cota de patrocínio das transmissões nacionais de circulação até 2031. Quem não estava na mesa em setembro de 2026 não volta a negociar tão cedo. É verba grande, longa e fechada — o oposto do que uma agência regional consegue comprar.
O que sobra é mais interessante do que parece. Um torneio de 157 jogos espalhados por 128 participantes gera pré-jogo, pós-jogo, boletim e testemunhal em praça, e nada disso está dentro do pacote de R$ 4 bilhões. O rádio já entrou nesse jogo como comprador de direito próprio, como mostrou o movimento da TMC em direitos de transmissão esportiva. A estreia da Massa FM em Goiânia é o outro lado da conta: inventário local novo, numa praça grande, semanas antes de o mercado fechar o ano.
O que observar daqui pra frente
Para quem faz prospecção de anunciantes, a leitura prática é de calendário. Marca que ficou fora da cota nacional de 2027 vai procurar associação ao futebol por outra porta, e essa decisão sai nos próximos dois trimestres — antes do fechamento do plano de mídia de 2027. Vale mapear agora quais anunciantes já compram futebol em rádio na sua praça e com que frequência, porque essa é a lista que responde mais rápido a uma proposta de pré-jogo.
O segundo ponto é a assinatura da ESPN, ainda pendente. Até ela sair, a divisão dos pacotes de streaming pode mudar de contorno, e com ela o desenho de mídia de apoio que as marcas vão contratar em 2027.