Direitos de transmissão esportiva: o rádio vira comprador
João Camargo, da TMC, negocia os direitos da Copa do Brasil depois de comprar Série C e Copa do Nordeste. O que muda no plano de mídia em rádio.
João Camargo, investidor da TMC, avisou em 13/08/2026 que iria ao Rio de Janeiro no dia seguinte tentar comprar os direitos de transmissão da Copa do Brasil. Ele disse isso num painel de empreendedorismo, não numa coletiva de mídia. É o sinal mais direto de que um grupo de rádio brasileiro entrou na disputa por propriedade esportiva de primeira linha.
Quem é o comprador
A TMC, antiga Rádio Transamérica, opera FMs em seis capitais: São Paulo (100,1), Rio de Janeiro (101,3), Curitiba (100,3), Belo Horizonte (88,7), Recife (92,7) e Brasília (100,1). Em 2026, Camargo comprou o Canal do Benja, projeto digital do jornalista Benjamin Back, e montou ali departamento comercial e de investimentos.
O histórico esportivo veio antes. "Compramos esse ano os direitos da CBF para a Série C do campeonato, a Copa do Nordeste e a Copa Verde", afirmou Camargo no painel "São Paulo, Cidade Empreendedora", do SP2B 2026, no Parque do Ibirapuera, conforme a própria TMC publicou. O pacote saiu em 04/03/2026, com a TMC dando apoio de estrutura no mesmo formato usado no Parazão, segundo o Mkt Esportivo.
O que a Copa do Brasil muda de patamar
Copa do Nordeste, Copa Verde e Série C são inventário regional: fiel, barato e fora do radar das grandes verbas. A Copa do Brasil é outra faixa — clubes de Série A, jogo nacional, patrocinador que compra o torneio inteiro. Comprar esse direito tira a TMC da conversa de audiência regional e coloca a rede na fila da verba nacional.
O argumento comercial de Camargo é atenção contínua: entre celular, rádio, televisão e notebook, o esporte ao vivo é dos poucos formatos que seguram o público por duas horas seguidas. A régua de retorno que ele citou é a Copa do Mundo: "Faturamento esperado: 8 bilhões de dólares. Faturamento realizado: 15 bilhões de dólares." O número é dele, não de balanço auditado — mas é o tamanho da promessa que ele leva pra mesa de patrocínio.
Implicação pro plano de mídia
Verba existe. O Painel Cenp-Meios registrou R$ 5,5 bilhões em compra de mídia no primeiro trimestre de 2026, alta de 18,3% sobre 2025 e bem acima da expansão de 1,8% do PIB apurada pelo IBGE, segundo o propmark.
Pra quem planeja rádio, a leitura é de calendário. Se o acordo fechar, negociar com a TMC em 2027 deixa de ser compra de spot avulso e vira cota de propriedade esportiva, com FM, canal digital e ativação no mesmo contrato. Cota nova não tem histórico de preço: quem entra no primeiro ciclo ancora o valor, quem entra no terceiro paga o valor já provado. Mesmo padrão da cobertura esportiva no rádio discutida no SET Expo — virou pauta de receita depois que os pacotes já estavam vendidos.
O que observar daqui pra frente
Dois sinais até dezembro. O primeiro é a CBF confirmar ou não a venda: a corrida por direitos de transmissão esportiva saiu do território exclusivo de TV aberta e streaming, e uma rede de rádio fechando torneio nacional muda a régua de quem negocia áudio. O segundo é a agenda comercial da TMC — a quinta edição do Conecta TMC acontece nesta segunda-feira (17/08), às 18h30, em São Paulo, conforme apurou o Tudo Rádio.