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Conta global de mídia: Publicis leva PepsiCo de US$ 1,7 bi

Publicis levou a conta global de mídia da PepsiCo, estimada em US$ 1,7 bi, sem concorrência. Timelens e Clear mudam a régua no Brasil.

A
por Alexandre Donato
SPYADS · 2026-09-02

Em 02/09/2026 o mercado decidiu duas contas e lançou uma régua nova, com o mesmo critério por trás. A PepsiCo entregou ao Publicis Groupe a conta global de mídia estimada em US$ 1,7 bilhão sem abrir concorrência. A Clear trocou de parceiro olhando comunidade, não alcance. E a Timelens abriu unidade para medir influência fora do número de impactos.

O que rolou hoje

O Publicis Groupe conquistou a conta global de mídia da PepsiCo, estimada em US$ 1,7 bilhão, segundo o Meio&Mensagem. O formato, batizado de One PepsiCo, será aplicado a todo o portfólio da companhia — Pepsi, Gatorade e Lay's — em mais de 200 mercados. A Omnicom Media atendia o cliente em mercados como EUA e Reino Unido há mais de 20 anos e continua no cliente em criação, esportes e relações públicas.

O detalhe que muda a leitura: não houve concorrência. A Adweek apurou que não houve pitch pela conta de mídia da PepsiCo e que o Publicis foi nomeado depois de uma revisão de capacidades de mídia. No mesmo dia, a holding comandada por Arthur Sadoun, CEO e chairman do Publicis Groupe, deixou a disputa pela conta global da Coca-Cola, verba de aproximadamente US$ 4 bilhões.

No Brasil, dois movimentos menores contam a mesma história. A Timelens, empresa de inteligência de dados e comportamento digital da FutureBrand São Paulo, lançou a unidade Data for Creators para medir o impacto do marketing de influência sobre reputação e patrimônio de marca, conforme o Propmark. Um estudo da empresa com 50 grandes ações apontou que 68% dos comentários estavam relacionados aos próprios criadores, à rotina ou à estética deles, sem conexão direta com o anunciante. E a Clear, marca da Unilever, escolheu a Live The Agency para ampliar a atuação social-first no País, mirando as comunidades de futebol e de Fórmula 1.

O padrão que está se formando

Os três casos deslocam a decisão do mesmo lugar. A PepsiCo não pediu ideia nova: pediu prova de operação. A Clear não comprou alcance: comprou repertório em duas comunidades específicas. A Timelens vende a leitura que falta quando a única métrica disponível é volume.

Os 68% explicam por que a régua mudou. Uma ação pode entregar audiência cheia e conversa vazia — medida, pública e ainda assim sem o anunciante dentro. "O maior ativo de um criador não é sua capacidade de mídia, já que ela pertence à plataforma e é refém de algoritmos mutáveis", disse Rafael Arty, diretor comercial da Timelens. Num mercado que cresce de 20% a 30% ao ano em investimento com criadores, a distância entre alcance e efeito virou linha de orçamento.

Para quem vende mídia, a consequência é desconfortável. Uma conta de US$ 1,7 bilhão mudou de mão sem que ninguém apresentasse campanha: o que foi avaliado foi capacidade instalada. Quando esse critério desce a cadeia, o veículo regional para de competir por audiência declarada e passa a competir por evidência entregue.

O que esperar daqui pra frente

Revisão de conta global costuma chegar às operações locais alguns meses depois, e o Brasil pesa no portfólio de Pepsi, Gatorade e Lay's. Vale acompanhar quem assume a mídia local e com qual estrutura de dado — isso mexe no calendário de aprovação de plano de mídia das marcas do grupo no País.

Para o rádio, o recado repete a corrida por dado comparável entre canais: quem chega com comprovação pronta encurta a negociação. Em prospecção de anunciantes, o argumento forte deixa de ser o número de ouvintes — passa a ser mostrar, com registro, quem já está no ar naquele espaço e quem saiu dele.

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