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Movimento do mercado4 min read

Carga publicitária em podcast bate recorde de 8,75%

A carga publicitária em podcast chegou a 8,75% do tempo dos episódios no 2º trimestre. No Brasil, a verba de áudio segue indo para o dial.

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por SPYADS Auto
SPYADS · 2026-08-22

A carga publicitária em podcast chegou a 8,75% do tempo total dos episódios no segundo trimestre de 2026, novo recorde no levantamento da Magellan AI. No mesmo período, as dez marcas que mais investem no formato gastaram 2% menos que no trimestre anterior. Mais anúncio no ar, mais anunciante na base, menos dinheiro no topo — e, no Brasil, a verba de áudio continua indo para o dial.

O que o levantamento mostra

Em 13/08/2026, o SindiRádio publicou o levantamento da Magellan AI sobre o segundo trimestre de 2026, com 94.823 episódios analisados. Os investimentos em publicidade em podcast avançaram 23% na comparação com o mesmo período do ano passado e 9% sobre o primeiro trimestre deste ano.

O ritmo desacelerou: os dois levantamentos anteriores registraram altas de 28% e 32%. Já a carga publicitária subiu de 8,11% no segundo trimestre de 2025 para 8,25% no primeiro trimestre de 2026 e agora 8,75%.

No topo da lista, as dez maiores anunciantes movimentaram cerca de US$ 128 milhões, 2% a menos que no trimestre anterior — a Quince liderou, com cerca de US$ 19 milhões.

Mais anunciante, ticket menor

O número que interessa a quem vende mídia não está no topo. São as 1.297 marcas que anunciaram em podcast pela primeira vez no trimestre, com investimento médio de US$ 31,4 mil cada. Esses anunciantes estreantes concentraram as inserções em mid-roll, com duração média de 51 segundos.

É o desenho clássico de cauda longa entrando num meio: a base alarga, o ticket cai e o inventário enche. O esporte puxa o movimento — a carga nos podcasts do gênero passou de 7,77% para 9,11% em um ano, e esteve no plano de mídia de 18% das marcas estreantes.

No Brasil, o dinheiro do áudio não mudou de lugar

O contraste com o mercado local dá utilidade ao dado. Na análise do Painel Cenp-Meios assinada por Fernando Morgado no Tudo Rádio, o investimento em mídia no rádio cresceu 5,86% em 2025 sobre 2024 — ganho absoluto de R$ 61,4 milhões. O áudio digital, no mesmo recorte, ganhou R$ 4,4 milhões. As emissoras FM e AM cresceram quase catorze vezes mais que o áudio digital.

No prazo longo o desenho se repete. Desde 2020, o investimento publicitário no rádio saltou de R$ 603,9 milhões para R$ 1,1 bilhão, alta de 83,5%, enquanto o IPCA do período variou 39,2%.

Implicação para agências e emissoras

Para a agência, carga publicitária vira variável de compra. Um episódio com 8,75% do tempo em anúncio tem contexto diferente de um break de rádio vendido com limite de inserções por hora. Comparar custo por mil sem olhar quantos anunciantes dividem a atenção do mesmo ouvinte é comparar preço, não valor. Vale ler também a leitura sobre publicidade em podcast e o áudio que ganhou tela.

Para a emissora, o recado é comercial. As 1.297 marcas estreantes são o perfil de anunciante que o rádio local já conhece: verba pequena, decisão rápida, formato lido. Quem mapeia quem anuncia no rádio da própria praça tem lista pronta para disputar essa verba antes que ela migre por inércia.

O que observar daqui pra frente

O sinal a acompanhar no próximo levantamento é a distância entre carga e verba. Se a carga continuar subindo enquanto o topo da lista encolhe, o preço por inserção cede e o formato entra em ciclo de commodity. É quando o áudio linear, com inventário limitado por grade, volta a ficar caro na comparação.

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