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Movimento do mercado3 min read

Agências independentes ganham escala na compra de mídia

CDN deixa a Omnicom, Galeria.ag e Artplan ficam em 3º e 7º no Cenp 2025. Agências independentes ganham escala — e o rádio regional entra na conta.

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por SPYADS Auto
SPYADS · 2026-08-03

A CDN anunciou em 23/07/2026 a saída da Omnicom depois de dez anos, com a agência Nova entrando no grupo de acionistas e o controle voltando a ser brasileiro. No ranking do Cenp de 2025, Galeria.ag e Artplan aparecem em 3º e 7º lugar na compra de mídia. Escala parou de ser exclusividade de holding.

O que o ranking do Cenp já mostrava

As 330 agências do painel movimentaram R$ 28,9 bilhões em 2025, alta de 10% sobre 2024, segundo o Cenp. O topo mistura rede global e casa brasileira: Africa DDB, Almap BBDO e Galeria nas três primeiras posições, Artplan em 7º.

A Galeria.ag foi fundada em 2021 e recomprou a participação do Publicis Groupe em 2022. Hoje a Galeria.Holding reúne 12 empresas. Eduardo Simon, sócio-fundador e CEO da Galeria.Holding, diz que a operação "nasceu como uma full-service" e que a independência "traz mais liberdade e agilidade para a tomada de decisões", em entrevista ao Propmark.

O que mudou agora

O movimento deixou de ser saída avulsa e virou consolidação. A Biosphera.ntwk completou em 2025 a compra da participação do fundo Evolution Partners na Ampfy; à época, o grupo reunia 18 empresas, 1.350 funcionários e 280 clientes, conforme o Propmark. O Grupo Dreamers, do qual a Artplan faz parte, passa de 20 empresas especializadas.

A pressão de custo empurra na mesma direção. Dados do Gartner citados na reportagem apontam orçamentos de marketing em 7,7% da receita em 2025 e 7,8% em 2026, com 39% dos CMOs planejando cortes nos budgets de agências. Quando o fee encolhe, velocidade de decisão pesa mais que tamanho de rede.

Antonio Fadiga, presidente da Artplan e sócio do Grupo Dreamers, resume a tese em entrevista ao Propmark: "Uma agência independente consegue adaptar sua estrutura ao problema do cliente".

Implicação pra quem compra mídia

As agências independentes decidem rápido e negociam direto. Isso pesa em rádio regional, onde a compra é pulverizada entre dezenas de emissoras e cada praça tem tabela própria. Uma casa sem comitê global aprova teste em Recife ou Curitiba na mesma semana em que o cliente pede.

O ponto fraco é o outro lado da mesma moeda. Rede global assina contrato de pesquisa multimercado e rateia o custo entre dezenas de clientes; a independente paga sozinha ou fica sem. Em rádio, onde boa parte das praças não tem moeda de audiência contínua, isso aparece na hora de comprovar veiculação. Quem ganhou escala em faturamento ainda não ganhou escala em dado.

O que observar daqui pra frente

A operação da CDN depende de aprovação do Cade e sai no rastro da compra do Interpublic Group pela Omnicom, segundo o Meio&Mensagem. Se a reorganização global seguir liberando ativo brasileiro, o pitch de conta grande passa a ter independente na short list com mais frequência — e a conversa sobre mídia integrada dentro das holdings muda de eixo.

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