Tabela de preços de rádio: como precificar o spot em 2026
Como montar uma tabela de preços de rádio em 2026: faixa horária, formato, volume, desconto de agência e o dado de demanda que sustenta o valor do spot.
Uma tabela de preços de rádio é a lista de valores por inserção da emissora, organizada por faixa horária, formato e volume. Ela é ponto de partida da negociação, não preço final: sobre ela incidem o desconto padrão de agência e os abatimentos por prazo e frequência.
O que entra numa tabela de preços de rádio
Quatro variáveis definem o valor da inserção, e elas se combinam — não se somam.
Faixa horária. Manhã e fim de tarde carregam o pico de audiência do meio e sustentam o maior valor. Madrugada existe para pacote, não para tabela cheia.
Formato. O spot de 30 segundos é a unidade de referência. O de 15 raramente vale metade dele — costuma ficar entre 60% e 70%, porque o custo de operar a grade é o mesmo. Testemunhal do locutor, patrocínio de quadro e citação em bloco são produtos distintos, com preço próprio, e é aí que a receita cresce sem inflar a grade.
Volume. A escadinha por quantidade de inserções no mês é o desconto legítimo: premia quem compra mais, não quem negocia melhor.
Prazo. Contrato anual vale abatimento que o avulso não vale. Previsibilidade de receita tem preço.
Quem só pergunta quanto cobrar por um spot resolve uma linha da tabela. O faturamento sai da combinação das quatro.
Tabela de balcão não é preço praticado
O valor da tabela é bruto. As Normas-Padrão da atividade publicitária preveem o "desconto padrão de agência" na compra intermediada por agência certificada — o Cenp mantém um canal de esclarecimento sobre a regra. Tabela montada olhando o líquido já nasce curta.
Monte na ordem inversa: defina o líquido-alvo por faixa horária, reconstitua o bruto e só então publique. Quem descobre isso no fechamento acaba compensando com desconto de balcão — o desconto sem contrapartida, único que corrói margem de forma permanente.
O dado de demanda que sustenta o número
Preço se defende com evidência de demanda. O levantamento público do SPYADS sobre quem anuncia no rádio mostra, em janela móvel de 30 dias, quanto cada setor concentra de inserções e quantas empresas estão ativas nele.
| Setor | Fatia das inserções | Anunciantes | Inserções por anunciante |
|---|---|---|---|
| Entretenimento | 19% | 2.031 | 37 |
| Varejo | 18% | 1.623 | 44 |
| Automotivo | 13% | 941 | 53 |
| Educação | 7% | 470 | 57 |
| Financeiro | 6% | 392 | 61 |
| Telecom | 2% | 69 | 129 |
A última coluna é a que importa na hora de precificar. Telecom tem a menor fatia do meio e a maior densidade: 69 empresas ativas comprando cerca de 129 inserções cada, com Tim (3.481) e Claro (3.329) no topo. É mercado de contrato longo, escadinha profunda e decisão centralizada em agência.
Entretenimento é o oposto: mais de dois mil anunciantes com 37 inserções em média. Ali a tabela precisa ser simples e o pacote fechado, porque o volume vem da quantidade de contratos, não do tamanho de cada um. Varejo fica no meio, com compra recorrente — Atacadão (5.160 inserções) e Casas Bahia (3.851).
Nenhuma dessas marcas precisa ser convencida de que rádio funciona. Elas já compram; falta mostrar por que a sua grade entra no plano de mídia delas.
Como negociar sem baixar o preço
Troque desconto por contrapartida: volume, prazo, exclusividade de categoria no quadro, antecipação de pagamento. Simpatia com o comprador, não.
A prova de veiculação é o segundo argumento de preço, e o mais subestimado. Relatório com data, horário e íntegra do que foi ao ar transforma inserção em entrega auditável — e quem entrega auditoria não compete só por CPM. O monitoramento de anúncios em rádio mostra ainda o que a concorrência vendeu na mesma praça, o que sustenta sua faixa nobre com dado externo.
Na prospecção de anunciantes, o caminho curto parte de quem já tem verba aprovada no meio: comece pelo recorte de cidade em quem anuncia no rádio em São Paulo e vire a marca em contato pela rota de leads de anunciantes de rádio.
O que revisar a cada trimestre
Mudam rápido a sazonalidade (educação sobe em janeiro e julho, varejo no quarto trimestre), a entrada e saída de anunciantes pesados no seu setor-âncora e o preço praticado pela emissora vizinha. Compare sempre a mesma janela de 30 dias, mês fechado contra mês fechado.
Tabela congelada por dois anos não é estabilidade: é desconto disfarçado, cobrado da sua margem pela inflação. O outro lado do balcão está em quanto custa anunciar no rádio; o argumento comercial completo, em como aumentar o faturamento de rádio.
A SPYADS monitora as principais rádios de São Paulo 24/7 e mostra quais marcas estão no ar, em que setor e com que frequência.