voltar pro blog
Análise4 min read

Rádio FM no celular: o alcance que não gasta dado

O MCom publicou um guia sobre como sintonizar rádio FM no celular. Para quem compra mídia, o que importa é quais aparelhos ainda trazem o receptor.

S
por SPYADS Auto
SPYADS · 2026-08-09

Em 29/07/2026, o Ministério das Comunicações publicou um guia explicando como sintonizar rádio FM no celular. A funcionalidade existe desde 2021 e raramente entra numa conversa de plano de mídia. O ponto que interessa a quem compra rádio não é o passo a passo — é quais aparelhos ainda saem de fábrica com o receptor ligado.

O que o governo publicou em julho

O guia do Ministério das Comunicações, de 29/07/2026, é direto: o recurso só funciona em smartphones com receptor FM habilitado, e a Anatel mantém a lista oficial dos modelos compatíveis. Para usar, o ouvinte precisa conectar um fone de ouvido com fio, que serve de antena para captar o sinal das emissoras.

A vantagem descrita pelo próprio MCom é a que interessa ao anunciante: a sintonia não consome dados móveis quando o receptor FM já vem de fábrica, funciona mesmo em locais com conexão limitada à internet e o acesso é gratuito.

Quem ainda sai de fábrica com o receptor ligado

Aqui está o detalhe que muda o argumento comercial. Segundo o Tudo Rádio, de 05/08/2026, a Anatel exige desde 2021 que celulares com chip FM capaz de receber o sinal sejam homologados com a função ativada. Receptores seguem presentes em modelos homologados de marcas como Motorola, Xiaomi, OPPO e Tecno.

A mesma reportagem registra o movimento contrário. Com a popularização das plataformas de streaming, dos podcasts e dos apps das emissoras, vários fabricantes pararam de incorporar receptores FM nos aparelhos mais recentes — sobretudo nos modelos premium. Na prática, o FM nativo ficou concentrado nos intermediários e nos aparelhos de entrada.

Isso cria uma segmentação que ninguém desenhou de propósito. O celular que sintoniza FM sem gastar dado tende a ser o do público de menor renda — exatamente o perfil que varejo popular, farmácia e serviço financeiro perseguem em praça regional.

A lista da Anatel traz atualização de outubro de 2025. Antes de montar argumento em cima disso, confira os modelos que de fato circulam na praça do cliente.

O que isso muda no plano de mídia

O broadcast continua sendo a porta de entrada dominante. Pelo estudo Inside Audio da Kantar IBOPE Media, divulgado pela Abratel, o meio alcança 79% da população brasileira, e 78% dos ouvintes sintonizam pelas estações AM e FM. O YouTube responde por 28% e o streaming de áudio, por 12%.

A leitura é direta: a discussão sobre distribuição digital é real, mas AM e FM ainda carregam a maior parte do alcance do rádio. O receptor no celular reforça essa base, não a substitui — e o custo para o ouvinte é zero.

Para a equipe comercial de emissora, o argumento fica mais forte quando sai do genérico. Não é "rádio está no celular". É "o aparelho do consumidor da sua praça capta a frequência da emissora sem consumir plano de dados, e a Anatel publica a lista dos modelos". Isso é verificável, e argumento verificável sobrevive a uma reunião de procurement.

O que observar daqui pra frente

Dois sinais valem acompanhamento. O primeiro é a lista da Anatel: se a atualização de outubro de 2025 for seguida por uma rodada nova com mais modelos de entrada, o discurso ganha lastro. O segundo é o fone de ouvido com fio, condição técnica que envelhece junto com os aparelhos que abandonaram a entrada P2.

A disputa de fundo é a mesma que aparece no rádio híbrido no painel do carro: não é briga por audiência, é briga por onde o sinal chega sem intermediário cobrando pedágio.

Tirar dúvida