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Análise3 min read

Rádio em 79% das metrópoles, mas perde share de verba em 2025

O rádio faturou R$ 1,108 bi em 2025 e cresceu 5,83%, mas caiu de 4% para 3,8% do bolo publicitário. Descompasso entre alcance e verba importa pro planejamento.

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por Alexandre Donato
SPYADS · 2026-06-20
Rádio em 79% das metrópoles, mas perde share de verba em 2025

O rádio brasileiro faturou R$ 1,108 bilhão em 2025 — alta de 5,83% sobre 2024 — e mesmo assim perdeu participação no mercado, caindo de 4% para 3,8% do total investido em mídia. No mesmo período, 92% da população ouviu áudio todo mês e o rádio chegou a 79% das regiões metropolitanas. O descompasso entre quem ouve e quem paga é a conta que falta fechar no orçamento de mídia.

Os números de 2025

O investimento publicitário no Brasil somou R$ 28,9 bilhões em 2025, segundo o Painel Cenp-Meios divulgado em 05/03/2026, com dados de 330 agências.

O rádio respondeu por 3,8% desse total, com R$ 1,108 bilhão em faturamento. O meio segue à frente de jornais (1,4%), cinema (0,3%) e revistas (0,3%). Acima dele, só televisão (41,3%, cerca de R$ 11,9 bilhões), internet (40,6%, cerca de R$ 11,7 bilhões) e mídia exterior (12,1%, cerca de R$ 3,5 bilhões).

O detalhe que importa: o faturamento do rádio subiu de R$ 1,047 bilhão para R$ 1,108 bilhão, mas o share caiu. O bolo total cresceu mais rápido que o meio, puxado pela internet. Rádio cresce em reais e encolhe em participação.

O descompasso entre consumo e verba

O estudo Inside Audio 2025, da Kantar Ibope Media, mostra o outro lado. 92% da população ouviu algum formato de áudio nos últimos 30 dias. O rádio atinge 79% das regiões metropolitanas, com média diária de 3h47 de escuta. Em Belo Horizonte o alcance chega a 87%, em Porto Alegre a 84% e em Fortaleza a 81%.

A verba não acompanha esse alcance. No digital, o áudio responde por apenas 0,3% do investimento em internet. Consumo quase universal, fatia mínima de orçamento.

A leitura é direta: o rádio entrega cobertura bruta que poucos meios alcançam, mas a verba segue a métrica de clique, não a de presença. Isso deixa inventário de áudio subprecificado em praças de alto alcance.

O que fazer com isso

Pra agência boutique que monta plano regional, o gap vira argumento de pitch. Quando 79% da metrópole ouve rádio e a verba do meio cai em share, há espaço pra negociar inventário abaixo do valor de cobertura — sobretudo fora do eixo Rio-São Paulo, onde o alcance per capita é ainda maior.

O que falta pra fechar esse plano com confiança é saber quem anuncia em qual emissora, com qual peça e por quanto tempo — em tempo real, não no relatório do trimestre passado.

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