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Marketing de causa: 78% aprovam, só 19% lembram

L'Oréal Paris, SBT e Sportv lançaram ações de causa no mesmo dia. Pesquisa mostra 78% favoráveis ao marketing de causa e só 19% de lembrança.

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por SPYADS Auto
SPYADS · 2026-08-25

Em 25/08/2026, três movimentos de mídia carregaram a mesma pauta no mesmo dia: a L'Oréal Paris levou o programa Stand Up para o estádio Nilton Santos, o SBT estreou três filmes de prevenção ao feminicídio no SBT Brasil e o Sportv ampliou o projeto Feitas de Esportes. O Agosto Lilás virou grade — e é aí que o marketing de causa esbarra no seu gargalo: só 19% dos brasileiros lembram espontaneamente de uma campanha do tipo.

O que rolou hoje

A L'Oréal Paris aplicou o treinamento contra assédio do Stand Up na partida entre Botafogo e Athletico Paranaense, na segunda-feira (24), dentro do Hora Delas, programa do clube, segundo a Propmark. A ação parte de dois números: 80% das mulheres já sofreram assédio em espaços públicos ao menos uma vez na vida e 76% das pessoas já presenciaram uma situação de assédio, mas não sabem como agir. "O futebol tem um grande poder de mobilização e influência na sociedade", diz Maíra da Matta, diretora geral de L'Oréal Paris no Brasil.

Horas depois, o SBT estreou no SBT Brasil três filmes de prevenção ao feminicídio, dentro da iniciativa SBT do Bem: um dirigido a mulheres em situação de violência, um a familiares e vizinhos que podem identificar sinais e um aos agressores. Priscila Stoliar, head de marketing do SBT, afirma que a campanha fica na programação sem data para sair, informou a Propmark. No mesmo dia, o Sportv ampliou o Feitas de Esportes, com a ex-jogadora Alline Calandrini como embaixadora.

O padrão: causa virou calendário de compra

Três atores distintos — um anunciante global, uma emissora aberta e um canal esportivo — publicaram na mesma janela de 24 horas. Não é coincidência de pauta, é calendário. Agosto Lilás, Setembro Amarelo e Outubro Rosa já operam como datas de mídia tão previsíveis quanto Dia das Mães, com uma diferença: a verba costuma sair do orçamento institucional, não do promocional.

Para quem monta plano de mídia, previsibilidade é matéria-prima: dá para mapear quem entra em cada mês, com que peça e em qual veículo — e chegar antes na conversa do ano seguinte.

O contraponto vem do dado. Pesquisa do Instituto Ayrton Senna com Cause, Ipsos e ESPM, divulgada em dezembro de 2025, ouviu 800 pessoas das classes A, B e C e apontou 78% favoráveis ao marketing de causa, contra apenas 19% capazes de citar uma campanha sem ajuda — e 20% que conhecem o termo, segundo a Exame.

O que fazer com isso

A distância entre 78% de aprovação e 19% de lembrança não se resolve na criação. É problema de frequência: causa que vive de dois posts e um filme institucional não sedimenta. Quem repete a mesma bandeira por três anos, com inserção real em rádio, TV e digital, aparece nos 19%.

Daí saem duas tarefas práticas. Na conta que você atende, confira quanto da campanha de causa virou inserção de verdade — prova de veiculação, não peça aprovada em apresentação. E, para prospecção de anunciantes, a lista de marcas que sustentam a mesma bandeira há três anos é a melhor lista de leads para bater em setembro, quando o Setembro Amarelo repete o ciclo.

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