M&A no Brasil sobe 114% em valor no Q1/2026
País registrou US$ 17,7 bilhões em transações entre janeiro e março, liderando a América Latina. Mercado mais seletivo prioriza escala.
O M&A no Brasil abriu 2026 com perfil diferente: US$ 17,7 bilhões em transações no Q1/2026, alta de 114% em valor versus mesmo período de 2025, segundo relatório da Aon divulgado com exclusividade pelo Times Brasil/CNBC. O volume de operações caiu 43% — foram 256 deals contra 449 no Q1/2025 —, mas o ticket médio disparou. Tradução: mercado mais seletivo, apostas em ativos com escala.
O que mudou no primeiro trimestre
O Brasil lidera a América Latina em fusões e aquisições, respondendo por 65% do valor total transacionado na região no trimestre. Private equity mobilizou US$ 3,1 bilhões em apenas 17 transações — a desproporção entre volume e valor reforça a preferência por operações maiores. Setores de destaque foram imobiliário (maior número de deals), internet/software/tecnologia e bancos.
André Nogueira, líder de M&A and Transaction Solutions da Aon no Brasil, resume: o investidor está priorizando ativos com escala, potencial de consolidação e capacidade clara de geração de valor. Para agências e holdings de mídia, a leitura é direta — o ciclo favorece consolidação de operações regionais em plataformas nacionais.
Por que isso importa pra agências
Agências boutique brasileiras estão no radar de holdings globais e fundos de private equity que buscam crescimento rápido em mercados emergentes. O movimento se acelera com dois vetores: marcas concentrando verbas em menos parceiros, exigindo capacidade full-service; e tecnologia (IA, automação, dados proprietários) virando barreira de entrada — comprar expertise custa menos que desenvolver internamente.
Jefferson Nesello, da Zaxo M&A Partners, alerta: governança, ESG, compliance e clareza societária deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos. Agências que operam informalmente — sem conselho, sem auditoria, dependência excessiva do fundador — ficam fora da conversa.
Olho aberto pra hoje
Com expectativa de queda da Selic ao longo de 2026, a liquidez deve aumentar e pressionar mais rodadas. Agências médias (R$ 20M-100M billing anual) que estruturarem governança nos próximos 6 meses entram no segundo semestre posicionadas pra conversa com fundos. O mercado saiu da fase de expansão fácil e entrou na fase da precisão estratégica.
Para marcas, o reflexo é indireto mas real: agências em processo de consolidação tendem a subir ticket e reduzir flexibilidade comercial. A janela pra negociar termos favoráveis com agências ainda independentes está aberta.