Convênio ABERT-Ecad muda a conta do rádio no interior
O convênio ABERT-Ecad dá 55% de desconto autoral a rádios de cidades até 10 mil habitantes e 25% acima de 300 mil. O que isso muda no plano de mídia.
Desde 01/01/2026, uma rádio comercial associada à ABERT numa cidade de até 10 mil habitantes paga 55% menos de retribuição autoral ao Ecad. Numa praça acima de 300 mil, o desconto cai para 25%. A escada é invertida de propósito, e mexe no custo de operação de boa parte do inventário de rádio fora das capitais.
O que mudou na tabela
O convênio ABERT-Ecad foi renovado em dezembro de 2025 e passou a valer em 01/01/2026. Ele trocou o desconto único por uma escada de sete faixas atrelada ao porte do município, segundo a ABERT: 55% até 10 mil habitantes, 50% entre 10.001 e 25.000, 45% até 50 mil, 40% até 75 mil, 35% até 150 mil, 30% até 300 mil e 25% acima disso.
O desconto tem contrapartida. A emissora precisa estar adimplente e enviar a planilha de programação musical até o dia 5 de cada mês, em formato .EXP ou .xlsx padronizado pelo Ecad. Quem envia em formato alternativo — .xls ou .xlsx com os dados de execução estruturados — perde 10 pontos do desconto, confirma o Sertesp. O reajuste é anual, pelo IPCA acumulado, aplicado em janeiro.
Cristiano Lobato Flôres, presidente-executivo da ABERT e presidente da comissão de negociação, classificou o acordo como "a melhor condição já alcançada".
Por que isso entra no planejamento de mídia
Direito autoral é custo fixo de emissora, não linha de plano. Mas ele define o piso abaixo do qual uma rádio não consegue vender spot sem operar no vermelho. Uma diferença de 30 pontos percentuais entre a faixa de 10 mil e a de 300 mil habitantes é dinheiro real na margem de quem opera em praça pequena.
O efeito prático: a emissora de interior entra em 2026 com custo de operação estruturalmente mais folgado que a concorrente de capital. Isso sustenta CPM competitivo justamente onde a cobertura é mais difícil de comprar, e ajuda a explicar por que o alcance do rádio fora das capitais segue firme mesmo com verba nacional concentrada.
O simulcasting ficou barato
O convênio cobra o simulcasting — a transmissão simultânea pela internet — a 10% do valor mensal efetivamente pago pelo broadcasting, desde que a emissora esteja em dia e cumpra as obrigações previstas.
Dez por cento é pouco para derrubar a barreira de estar em app, site e player agregador. Isso conversa direto com o estudo "Rádio 3.0: Relevância e força estratégica para o mercado publicitário", apresentado no Papo ABERT de 14/07/2026 e assinado por Cristiano Stuani, Daniel Starck (CEO do tudoradio.com) e Juliana Paiva (RadioData), publicado pela ABERT. O estudo trata o rádio como áudio distribuído por várias plataformas, com o conteúdo ao vivo como principal diferencial.
O que observar daqui pra frente
Duas leituras para o segundo semestre. A primeira: a exigência de planilha estruturada até o dia 5 empurra a base de emissoras associadas para um registro padronizado de execução — dado que hoje serve ao Ecad, mas que tende a virar moeda comercial na negociação com anunciante. A segunda: com simulcasting a 10%, a pergunta do anunciante deixa de ser se a rádio está online e passa a ser quanto do consumo já migrou para o digital em cada praça.