Campanha regionalizada: Eneva roda 7 versões com sotaque
A Eneva estreou em 06/09 uma campanha regionalizada em sete estados. O Painel Cenp-Meios mostra que 68% da verba ainda sai como veiculação nacional.
Uma campanha regionalizada com sete versões de sotaque estreou no intervalo do Fantástico em 06/09/2026 — e o anunciante não é varejo, é uma geradora de energia. A Eneva rodou o mesmo filme de 30 segundos em sete estados, trocando falas e referências culturais em cada praça.
O que rolou hoje
O propmark publicou nesta terça (08/09) que a Eneva regionalizou a campanha institucional para Espírito Santo, Ceará, Distrito Federal, Amazonas, Maranhão, Sergipe e Roraima. Com 30 segundos, o filme usa personagens reais das comunidades e roda durante todo o mês de setembro. Renata Neves, gerente de marketing da Eneva, resume o mote: a energia "não se encerra na geração: ela também movimenta a economia, gera renda e contribui para o desenvolvimento das regiões". Desde 2023, a companhia destinou mais de R$ 43 milhões a iniciativas socioambientais e culturais nessas praças.
No mesmo dia, o Spotify levou o Radar Brasil às ruas de São Paulo. A plataforma colocou quatro editores — Bia, Carlos, Isa e Lafa — como personagens das peças de mídia exterior, com frases de curadoria no lugar do release: "80% funk, 20% grime, 100% de ousadia". São nove artistas brasileiros na safra do Radar Brasil, revelados a partir de 11 de setembro.
Dois anunciantes, o mesmo movimento: repertório local virou argumento criativo, não desconto de tabela.
O padrão que está se formando
O Painel Cenp-Meios explica por que isso vira notícia. Em 2025, as agências compraram R$ 28,9 bilhões em mídia, alta de 10%. Só que 68% saiu como veiculação nacional. O Sudeste ficou com 19,4%, o Nordeste com 4,5%, o Sul com 4%, o Centro-Oeste com 2,9% e o Norte com 1,1%. A verba regional existe, mas cabe em cinco linhas.
Dentro dessa fatia, o rádio é minoria. Levantamento da Alright publicado na Fast Company Brasil aponta R$ 9,2 bilhões em mídia regional, com 37% em TV aberta, 35% em mídia exterior e 11% em rádio. Na mesma série, a segmentação digital por município aparece como gargalo: o Brasil tem 5.571 municípios e as principais plataformas oferecem pouco mais de 1.100 como opção de segmentação. Cerca de 4,4 mil cidades ficam fora desse mapa.
É aí que a conta muda de lado. Quando a marca decide falar capixaba, maranhense ou roraimense, a compra programática não alcança a praça — a emissora local alcança. O caso da publicidade em Minas Gerais já tinha mostrado a mecânica: promoção falada em mineirês, sotaque como condição de compra, rádio como meio natural da execução.
O que esperar amanhã
O calendário segue aberto: a Eneva veicula ao longo de setembro e o Spotify solta os nove nomes a partir de 11/09. Para quem vive de prospecção de anunciantes, o gancho é chegar com praça e sotaque já resolvidos. Anunciante que produziu sete versões do mesmo filme não recusa proposta que entrega a leitura do texto na voz de quem mora ali.
O que observar é se a verba acompanha a criação. Sete versões saem caras em produção e baratas em veiculação se o plano de mídia parar na TV aberta das capitais. A janela para o rádio regional é essa, e ela fecha em 30 de setembro.